Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 10:03
- Atualizado há 2 horas
A propriedade de um resort pertencente a família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli passou integralmente para as mãos de um advogado com atuação profissional ligada aos empresários Joesley e Wesley Batista. O negócio foi concluído em abril de 2025, após a compra, em um intervalo de dois meses, de todas as cotas do empreendimento Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná.>
O responsável pela aquisição é Paulo Humberto Barbosa, advogado que adquiriu as participações pertencentes a dois irmãos e a um primo de Toffoli, tornando-se o único dono do resort. Embora o ministro nunca tenha integrado formalmente o quadro societário do empreendimento, ele é conhecido por frequentar o local com regularidade.>
Barbosa mantém relações empresariais próximas ao grupo dos irmãos Batista. Ele é sócio de Renato Mauro Menezes Costa, atual presidente da Friboi, e de Gabriel Paes Fortes, cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley. O trio controla a Petras Negócios e Participações, empresa voltada ao aluguel de aeronaves, na qual Barbosa detém metade das cotas.>
Além dessa sociedade, o advogado possui participação em cerca de dez empresas registradas em seu nome, com atuação em áreas que vão do comércio atacadista a investimentos e atividades agropecuárias. Seu escritório também atua em um processo que investiga a compra de companhias norte-americanas pelo grupo dos irmãos Batista, operação que teria contado com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).>
Em nota, a JBS afirmou que o escritório citado atuou na defesa da empresa em ações no estado de Goiás e ressaltou que nem a companhia, nem seus acionistas mantêm vínculo com as empresas ou outros negócios do advogado mencionado.>
Fundo investigado e decisões no STF>
A operação de compra do resort foi realizada por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag, instituição financeira que aparece no centro das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. A ligação acendeu alerta sobre a atuação de Dias Toffoli como relator do inquérito que apura o caso no Supremo.>
O ministro também esteve à frente, em 2023, de uma decisão que suspendeu a cobrança de uma multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F, holding controladora da JBS, com o Ministério Público Federal.>
No fim de 2025, a presença de Toffoli no resort Tayayá voltou a repercutir após o ministro viajar até o local em uma aeronave pertencente a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. Ele é investigado na Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de evasão fiscal e comercialização de combustível adulterado, com suspeitas de ligação com o PCC.>