'Antes Elize do que Eliza': como é o TCC de estudante de Direito que viralizou

Trabalho aprovado com nota máxima investiga a popularização da frase nas redes sociais e discute a sensação de insegurança vivida por mulheres diante da violência de gênero

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11:15

Clara Souza, de 22 anos
Clara Souza, de 22 anos Crédito: Reprodução 

Uma estudante de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), no Ceará, ganhou repercussão nacional após o título de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) viralizar nas redes sociais. A pesquisa de Clara Souza, de 22 anos, utiliza a expressão “Antes Elize do que Eliza” para analisar como mulheres percebem a atuação das instituições diante de casos de violência.

Segundo reportagem do G1, a autora esclarece que a frase não representa uma defesa de crimes, mas sim um fenômeno social amplamente compartilhado na internet. A expressão faz referência aos casos de Elize Matsunaga, condenada pela morte do marido Marcos Matsunaga, e de Eliza Samudio, assassinada em um crime que teve o ex-goleiro Bruno como mandante.

Na pesquisa, Clara busca compreender por que parte das mulheres demonstra descrença na capacidade do Estado de protegê-las em situações de violência. O estudo também discute o papel da mídia e das redes sociais na cobertura de casos criminais, apontando que, muitas vezes, a complexidade dos processos judiciais é substituída por narrativas simplificadas que dividem personagens entre “mocinhos” e “vilões”.

Outro ponto abordado pela monografia é a forma como mulheres envolvidas em casos de grande repercussão são julgadas pela opinião pública. A autora argumenta que tanto Eliza Samudio quanto Elize Matsunaga tiveram suas trajetórias pessoais amplamente expostas e analisadas sob estereótipos relacionados à origem social, à vida pessoal e aos relacionamentos que mantiveram.

Com mais de 130 páginas, o trabalho foi aprovado com nota máxima e recebeu elogios da banca examinadora, que sugeriu o aprofundamento da pesquisa em nível de mestrado. Atualmente, Clara atua na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, no núcleo de enfrentamento à violência doméstica.

Com informações do G1