Anvisa aprova injeção semestral contra o HIV com eficácia próxima de 100%

Fármaco lenacapavir amplia opções de prevenção e tratamento, mas preço e acesso ainda são desafios no Brasil

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 19:08

Medicamento inovador é aprovado no Brasil -
Medicamento inovador é aprovado no Brasil - Crédito: Divulgação 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do lenacapavir no Brasil, marcando a chegada do primeiro medicamento injetável capaz de prevenir a infecção pelo HIV com aplicações realizadas apenas duas vezes por ano, segundo informações divulgadas por O Globo.

Desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences e comercializado com o nome Sunlenca, o fármaco representa um avanço significativo nas estratégias de combate ao vírus.

A aprovação contempla duas finalidades. A primeira é o uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), voltada a pessoas que não vivem com HIV, com mais de 12 anos, peso superior a 35 quilos e resultado negativo para o vírus. A segunda indicação é terapêutica, destinada a pacientes que vivem com HIV, já passaram por outros esquemas de tratamento e apresentam resistência a diferentes classes de antirretrovirais.

O diferencial do lenacapavir está na praticidade. Enquanto a PrEP disponível atualmente exige o uso diário de comprimidos, estratégia adotada no Brasil desde 2017, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a nova opção reduz drasticamente a necessidade de doses frequentes. Embora os comprimidos também ofereçam alta proteção, a adesão diária ainda é um obstáculo para parte da população.

O potencial do medicamento já havia sido reconhecido internacionalmente. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da chamada prevenção combinada, que reúne diferentes métodos, como preservativos, testagem regular e uso da PrEP. A entidade classificou a decisão como um marco político capaz de influenciar a resposta global ao HIV.

Apesar do avanço regulatório, o acesso ao medicamento segue como ponto sensível. A Gilead firmou acordos para permitir a produção de versões genéricas em cerca de 120 países com alta incidência do vírus e recursos limitados. O Brasil, no entanto, não está entre eles, o que gerou críticas de pesquisadores internacionais.

Um estudo da Universidade de Liverpool apontou que o custo de produção permitiria a venda do medicamento por cerca de 25 dólares, mantendo margem de lucro.

Especialistas brasileiros alertam que o preço não é o único desafio. A falta de informação e as barreiras de acesso aos serviços de saúde ainda afastam grupos mais vulneráveis, como pessoas trans, profissionais do sexo e usuários de drogas, muitos dos quais desconhecem a existência da PrEP ou enfrentam dificuldades para obtê-la.

Fonte: O Globo