Publicado em 22 de setembro de 2026 às 18:30
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento oral Etcamah (camizestranto) para o tratamento de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático. A liberação foi concedida à farmacêutica AstraZeneca do Brasil e a medicação passará agora pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o teto do preço de comercialização no país.>
O tratamento é destinado a tumores do tipo receptor de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo (HER2-), nos quais as células cancerígenas utilizam o hormônio estrogênio para crescer, sem apresentar excesso da proteína HER2. Nesses quadros, a terapia padrão inicial costuma ser a hormonioterapia, mas o tumor pode desenvolver uma mutação adaptativa no gene ESR1 após cerca de seis meses de tratamento contínuo, tornando-se resistente aos remédios tradicionais.>
O camizestranto atua como um degradador seletivo do receptor de estrogênio, bloqueando o hormônio e fazendo com que a própria célula destrua essa estrutura para interromper os sinais químicos de crescimento. A nova abordagem permite antecipar a troca da medicação, que é realizada assim que a mutação no gene ESR1 é identificada no sangue por meio de biópsia líquida, antes mesmo que a doença dê sinais visíveis de progressão em exames de imagem. No ensaio clínico Serena-6, realizado com 315 pacientes, a intervenção antecipada reduziu em 56% o risco de avanço do câncer ou morte, elevando o tempo médio de controle da doença de 9,2 meses para 16 meses.>
O medicamento também obteve aprovação recente da agência reguladora dos Estados Unidos (FDA). No Brasil, o câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres, com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 73.610 novos casos anuais no triênio de 2023 a 2025, representando 30,1% de todos os diagnósticos femininos. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o registro anual de 2,4 milhões de novos casos e 694 mil mortes em decorrência da enfermidade.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>