Anvisa aprova primeiro remédio para tratar ondas de calor na menopausa

Inédito no Brasil, medicamento atua diretamente no cérebro para controlar calor e suores noturnos.

Publicado em 23 de junho de 2026 às 16:12

Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa. Crédito: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do fezolinetanto, o primeiro medicamento de uso oral e não hormonal autorizado no país para o tratamento de sintomas vasomotores da menopausa. Comercializado sob o nome Veoza, o remédio é indicado para aliviar as ondas de calor (fogachos) e os suores noturnos, de intensidade moderada a grave.

Diferente da terapia de reposição tradicional, o novo fármaco não utiliza estrogênio ou progesterona. Ele atua diretamente no hipotálamo, região do cérebro que funciona como o centro regulador da temperatura corporal. A substância bloqueia um receptor chamado NK3, que está envolvido nas alterações térmicas causadas pela queda de estrogênio durante a menopausa. A aprovação foi baseada em estudos clínicos com mais de 3 mil mulheres, que demonstraram uma redução significativa na frequência e na intensidade dos fogachos.

A novidade amplia as opções para mulheres cujos sintomas afetam severamente o sono e a qualidade de vida. O medicamento é uma alternativa especialmente relevante para pacientes que possuem contraindicações à terapia hormonal, que sofreram efeitos adversos com outros tratamentos ou que preferem uma abordagem não hormonal após orientação médica.

Apesar da inovação, especialistas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) esclarecem que o fezolinetanto não substitui a terapia hormonal. A reposição hormonal continua sendo a referência mais eficaz para tratar, além dos fogachos, sintomas como ressecamento vaginal, alterações de humor e a prevenção da osteoporose.

Mulheres com histórico de câncer de mama devem consultar seus oncologistas antes de considerar o uso, pois a indicação precisa ser avaliada caso a caso. Embora já aprovado pela Anvisa, o Veoza ainda não possui preço definido nem data confirmada para o lançamento oficial no mercado brasileiro. A recomendação é que as pacientes busquem avaliação médica para analisar o histórico de saúde e possíveis contraindicações antes de iniciar qualquer novo tratamento.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.