Publicado em 2 de abril de 2026 às 07:49
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) veio a público nesta semana para reforçar a segurança da vacina contra a gripe após a circulação de conteúdos desinformativos sobre o imunizante nas redes sociais.>
A campanha nacional de vacinação contra a doença foi iniciada no último sábado (28), e especialistas reforçam que a imunização é a melhor forma de evitar complicações e mortes pela doença.>
As postagens citam que substâncias presentes no imunizante seriam danosas ao organismo. Uma delas é o mercúrio, usado no produto na forma de timerosal.>
A agência, no entanto, reforça que a substância não oferece risco algum. O mercúrio atua como conservante, impedindo o crescimento de bactérias e fungos em frascos que contêm várias doses.>
"A quantidade (usada na vacina) é ínfima e muitos estudos comprovam que essa formulação específica é eliminada rapidamente pelo corpo, sem causar danos ao sistema nervoso ou aos rins", detalha a Anvisa, na nota.>
Outro alvo das fake news é o Octoxynol-10 (Triton X-100). Os conteúdos sugerem que o componente causaria doenças autoimunes ou câncer. A agência ressalta que as informações não têm base científica.>
O componente, segundo a Anvisa, é um detergente usado para fragmentar o vírus durante a fabricação. Ele garante que o vírus seja inativado (morto) e não cause a doença.>
"Apenas traços residuais permanecem no produto final. O Triton X-100 é amplamente utilizado em cosméticos e medicamentos aprovados no mundo inteiro, sem qualquer indício de que cause malformação ou doenças graves", explica.>
Os conteúdos também comparam o formaldeído da vacina com o "formol" usado em produtos cosméticos, alegando que o componente seria cancerígeno.>
A Anvisa esclarece que a informação é enganosa. Ela cita que o próprio corpo humano produz formaldeído como parte do metabolismo das células. "O sangue de um bebê, por exemplo, possui naturalmente uma concentração muito maior da substância do que qualquer vacina.">
"O formaldeído só é considerado cancerígeno em exposições industriais altas e prolongadas. Nas vacinas, ele é usado em doses residuais mínimas apenas para inativar o vírus, sendo incapaz de causar leucemia ou outros tumores", adiciona.>
A Anvisa ainda destaca que monitora de forma contínua a segurança das vacinas. "O risco real não está nos componentes do imunizante, mas sim nas complicações da gripe, que podem evoluir para pneumonia e óbito.">
Em reportagem recente do Estadão, Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), destaca que, embora existam grupos de alto risco, desfechos graves podem acontecer com qualquer pessoa.>
A vacina influenza trivalente é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e é indicada, prioritariamente, para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, idosos e gestantes>
De acordo com o Ministério da Saúde, o esquema vacinal para crianças de 6 meses a 8 anos depende do histórico de vacinação. Quem já foi vacinado anteriormente recebe uma dose. Quem ainda não foi precisa tomar duas, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.>
A imunização é feita anualmente porque o vírus influenza muda com frequência. A cada campanha, as vacinas são atualizadas para contemplar as cepas em circulação, o que torna a vacinação periódica essencial.>