Publicado em 11 de agosto de 2026 às 18:51
Nesta terça-feira (11), a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que recebeu do Discord uma proposta com medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. O documento foi entregue na segunda-feira (10), após reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da AGU e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).>
As negociações começaram depois que um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça apontou falhas nos mecanismos utilizados pelo Discord para verificar a idade dos usuários e proteger crianças e adolescentes.>
Segundo a AGU, o governo cobrou da empresa a adoção de medidas efetivas para cumprir a legislação brasileira. Entre as exigências estão mecanismos mais eficientes de verificação de idade, prevenção de riscos e proteção de usuários menores de idade.>
A proposta apresentada pelo Discord será analisada pela AGU em conjunto com outros órgãos federais, incluindo o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e a ANPD. Depois da avaliação, o governo poderá negociar com a empresa um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).>
A AGU afirmou que a tentativa de chegar a um acordo não impede a adoção de medidas administrativas ou judiciais contra a plataforma, caso sejam necessárias para garantir o cumprimento das leis brasileiras e a proteção de crianças e adolescentes.>
Pressão sobre o Discord aumentou>
O Discord, bastante utilizado por jogadores e jovens, vem sendo alvo de críticas e investigações relacionadas aos mecanismos de moderação e verificação de idade. As autoridades apontam que falhas nesses sistemas podem facilitar a ocorrência e a transmissão de crimes graves contra crianças e adolescentes, como extorsão, chantagem e indução à automutilação.>
Na semana passada, a ANPD abriu um processo de fiscalização para investigar possíveis falhas da empresa na verificação da idade dos usuários, na remoção de conteúdos ilegais e na prevenção da exposição de menores a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio.>
A fiscalização ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a jovem teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões realizadas em grupos na plataforma.>
A Polícia e o Ministério da Justiça apontaram possíveis falhas nos mecanismos de moderação e controle de idade do Discord no caso.>
O episódio também provocou manifestações públicas. Na semana passada, a primeira-dama Janja da Silva defendeu o bloqueio da plataforma no Brasil e cobrou providências do governo federal.>
Após a repercussão do caso, representantes do Discord se reuniram com a AGU e se comprometeram a apresentar um plano de ação para ampliar a proteção de crianças e adolescentes. A proposta entregue nesta semana agora será avaliada pelos órgãos responsáveis antes de uma possível negociação com a empresa.>