Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 13:51
O Banco de Brasília (BRB) passou a deter ativos da concessionária de cemitérios Grupo Maya, em São Paulo, após assumir uma série de papéis entregues pelo Banco Master como forma de compensação por carteiras de crédito consideradas fraudulentas. Os títulos haviam sido vendidos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões.
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A troca dos ativos ocorreu de forma acelerada e foi interrompida pela liquidação extrajudicial do Master, decretada um dia depois da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros executivos, no âmbito da Operação Compliance Zero. Entre os bens aceitos pelo BRB estão imóveis, fundos, ações, contas no exterior e a Cemitérios São Paulo S.A., nome jurídico do Grupo Maya.>
O Grupo Maya administra cinco cemitérios na capital paulista — Campo Grande, Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade — e também atua na oferta de serviços funerários. A concessionária lidera o número de reclamações registradas nos canais da Prefeitura de São Paulo e é alvo de investigação municipal por suspeita de uma possível fusão informal com a Cortel, outro grupo do setor.>
Durante a apuração, o Executivo municipal identificou que o Grupo Maya contratou empréstimos com o Banco Master. O caso ganhou relevância porque Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, integra o quadro societário da Cortel e também foi alvo da segunda fase da operação policial.>
Com dificuldades de caixa, o BRB pretende se desfazer rapidamente dos ativos herdados do Master. Na última semana, o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, buscou compradores no mercado financeiro. O pacote colocado à venda inclui, além da concessionária, um terreno em área nobre da capital paulista, restaurantes e outros bens, avaliados em R$ 21,9 bilhões.>
A venda desses ativos integra o plano apresentado ao Banco Central para recomposição de capital, após o BC determinar o provisionamento de R$ 2,6 bilhões em janeiro. Entre as alternativas estudadas estão empréstimos via consórcio bancário, recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criação de um fundo imobiliário com ativos do GDF e a alienação dos bens adquiridos do Master.>
Em nota, o Grupo Maya negou que o BRB seja acionista da concessionária e afirmou que o controle societário permanece inalterado desde o início da concessão. A empresa também declarou que mantém empréstimos com diferentes instituições financeiras, todos em dia, e negou qualquer integração com concorrentes, destacando que mudanças logísticas em andamento seguem previsões contratuais e visam ganho de eficiência operacional.>
Com informações do Metrópoles >