Ataques preconceituosos interrompem debate sobre igualdade em transmissão do TJ-PR

Comentários ofensivos contra dois magistrados durante evento online acendem alerta sobre racismo em ambientes institucionais e mobilizam autoridades.

Publicado em 24 de março de 2026 às 12:11

Ataques preconceituosos interrompem debate sobre igualdade em transmissão do TJ-PR
Ataques preconceituosos interrompem debate sobre igualdade em transmissão do TJ-PR Crédito: Reprodução/TJ-PR

Um evento que discutia igualdade de gênero acabou marcado por um episódio de racismo que gerou indignação no sistema de Justiça. Durante uma transmissão ao vivo promovida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, dois magistrados foram alvo de comentários ofensivos publicados no chat da plataforma digital. O caso aconteceu enquanto a programação era exibida para estudantes da rede estadual e participantes presenciais no interior do estado.

As vítimas foram o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Fábio Francisco Esteves, e a juíza auxiliar da presidência do Supremo Tribunal Federal, Franciele Pereira do Nascimento. Enquanto participavam das atividades do Programa Paraná Lilás e da apresentação do Brasil Lilás, mensagens com teor racista surgiram na transmissão feita pelo YouTube. Um dos comentários fazia referência depreciativa à aparência de um dos magistrados.

O encontro ocorreu em formato semipresencial, com parte do público reunida no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, e outra acompanhando de forma remota. Os perfis usados para publicar as ofensas utilizavam identidades falsas, incluindo um que fazia alusão a Jeffrey Epstein, figura conhecida internacionalmente por envolvimento em crimes graves.

A repercussão do caso levou a presidência do Tribunal de Justiça do Paraná a se manifestar publicamente. Durante sessão plenária, a desembargadora Lidia Maejima classificou o episódio como um ataque direto não apenas às vítimas, mas à própria instituição. Segundo ela, manifestações de ódio em um espaço voltado à promoção de direitos representam uma afronta que não pode ser ignorada.

O tribunal informou que atua para identificar os responsáveis por meio do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional. A investigação também conta com a Polícia Civil de Loanda, que já iniciou diligências para esclarecer o ocorrido.

Em posicionamentos oficiais, o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça prestaram apoio aos magistrados e afirmaram que medidas legais e administrativas foram adotadas. O caso reforça o debate sobre racismo estrutural e a necessidade de responsabilização, já que esse tipo de crime é considerado imprescritível e não admite fiança no Brasil.

A trajetória dos magistrados também evidencia os desafios enfrentados por profissionais que rompem barreiras sociais. Franciele Pereira do Nascimento, oriunda da Região Metropolitana de Curitiba, construiu sua carreira a partir da educação pública até chegar à magistratura. Já Fábio Francisco Esteves, nascido no interior do Mato Grosso do Sul, superou dificuldades na infância para seguir os estudos e ingressar na carreira jurídica.