Banco Central identifica novas fraudes do Banco Master com fundo investigado por ligação com PCC

Reag Trust DTVM, alvo de mega operação que investiga a máfia de combustíveis ligada ao PCC.

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 08:41

Banco Central apresenta nesta sexta defesa ao TCU sobre liquidação do Banco Master
Banco Central apresenta nesta sexta defesa ao TCU sobre liquidação do Banco Master Crédito: Reprodução

O Banco Central identificou indícios de fraudes em operações realizadas pelo Banco Master, envolvendo fundos administrados pela Reag Trust DTVM, alvo de mega operação que investiga a máfia de combustíveis ligada ao PCC.

As operações entre o banco de Daniel Vorcaro, envolvendo fundos administrados pela Reag, totalizaram cerca de R$ 11,5 bilhões entre julho de 2023 e julho de 2024. No relatório encaminhado ao Ministério Público Federal em novembro de 2025, consta que as transações utilizavam ativos de baixa liquidez e valores superestimados, violando normas do Sistema Financeiro Nacional, possivelmente com uso de “laranjas” para manter o funcionamento do banco.

A Reag é investigada da Operação Carbono Oculta, deflagrada em agosto de 2025 pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado à máfia dos combustíveis, com conexões ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essas suspeitas contribuíram para a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, após graves irregularidades e crise de liquidez.

A dinâmica da fraude, segundo as investigações, era seguinte: Uma empresa que fazia parte do esquema pegava dinheiro emprestado com o Master e aplicava em um fundo administrado pela Reag; o fundo então comprava títulos a um valor supervalorizado de um vendedor que também era da Reag; e assim o dinheiro ia passando de fundo em fundo até voltar para fundos de Vorcaro e sócios do Master.

A Reag afirmou que não se envolve nas atividades econômicas dos clientes.