Publicado em 14 de setembro de 2026 às 09:39
A Polícia Federal (PF) apontou que o Banco Master mantinha uma estrutura organizada para produzir documentos que davam aparência de legalidade a operações de crédito consignado investigadas por suspeita de fraude. Segundo a corporação, o processo envolvia desde a extração de dados reais de clientes até a edição de arquivos para esconder informações que poderiam revelar a origem dos documentos.>
As conclusões constam em um relatório técnico elaborado a partir de uma apresentação interna encontrada na área de tecnologia do banco. O material, com 30 slides, detalha atividades realizadas entre junho e outubro de 2025 para a criação de documentos relacionados à cessão de créditos consignados ao Banco de Brasília (BRB).>
De acordo com a investigação, a operação funcionava como uma espécie de “linha de montagem digital”. Inicialmente, dados de clientes eram retirados de sistemas internos e organizados em planilhas. Essas informações serviam de base para a produção automática de milhares de documentos, como procurações e contratos.>
Em seguida, páginas contendo assinaturas eram separadas de documentos originais e reutilizadas em novos arquivos. A PF afirma que programas desenvolvidos pela equipe de tecnologia e ferramentas de edição de PDF permitiam reorganizar os documentos e criar dossiês completos para cada operação.>
A investigação também identificou tentativas de apagar informações consideradas comprometedoras. Em um dos casos analisados, um Termo de Consentimento que originalmente continha a data de 24 de fevereiro de 2023 teve a referência temporal removida em julho de 2025. Para os peritos, a medida buscava dificultar a identificação da verdadeira origem do documento.>
Outro ponto destacado pela PF foi a tentativa de eliminar, de comprovantes bancários, informações como número de contrato, histórico das operações e outros registros que poderiam conectar os documentos às transações originais.>
Esquema envolvia Tirreno e BRB>
Segundo a Polícia Federal, o esquema tinha como peça central a Tirreno Consultoria, empresa que teria sido criada para formalizar cessões fictícias de crédito consignado junto ao Banco Master. A partir dessas operações, carteiras sem lastro teriam sido negociadas com o BRB.>
Os investigadores afirmam que a Tirreno funcionava sem sede física e sem funcionários, tendo sido constituída com capital social de apenas R$ 100. Ainda conforme a PF, a empresa teria sido utilizada para formalizar cerca de R$ 7,15 bilhões em operações consideradas fictícias.>
Perícia encontrou inconsistências>
Mesmo com as alterações realizadas nos documentos, a perícia conseguiu identificar divergências entre datas de criação, assinaturas digitais e outros registros eletrônicos. Os rastros deixados nos arquivos permitiram reconstruir parte do processo de edição e apontar incompatibilidades entre a documentação apresentada e a cronologia real das operações.>
Além disso, mensagens internas analisadas pelos investigadores indicam que, diante de questionamentos sobre as inconsistências, teria sido discutida a justificativa de que os problemas decorreriam de um suposto “erro operacional na seleção” dos documentos.>
Para a PF, o conjunto de evidências demonstra um processo estruturado de produção e adaptação de arquivos com o objetivo de conferir aparência de autenticidade às operações investigadas.>
Com informações do G1>