Publicado em 24 de abril de 2026 às 12:01
A diplomacia costuma ser feita de apertos de mãos e sorrisos, mas, nos bastidores, a regra de ouro é clara: o tratamento deve ser igual para os dois lados. Na última quinta-feira (23), essa máxima entrou em cena quando Michel Myers, funcionário do governo dos Estados Unidos, deixou o solo brasileiro. A saída não foi um simples fim de contrato, mas uma resposta direta do Itamaraty a uma medida semelhante tomada pela gestão de Donald Trump contra um brasileiro.>
Tudo começou quando o governo norte-americano ordenou que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho abandonasse os EUA. Carvalho atuava como oficial de ligação no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e teve um papel central na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.>
A alegação do Departamento de Estado americano para expulsar o brasileiro foi uma suposta tentativa de manipulação em processos de extradição. O Brasil, no entanto, não deixou por menos e aplicou o chamado princípio da reciprocidade.>
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que as medidas atingiram dois americanos que colaboravam com a corporação:>
Michael Myers: Teve suas credenciais retiradas e o visto cancelado pelo Ministério das Relações Exteriores. Ele optou por antecipar seu retorno aos EUA logo após a decisão.>
Segundo oficial (identidade preservada): Teve seu acesso às dependências da PF suspenso temporariamente, mas ainda permanece no Brasil.>
O que chama a atenção é que o Itamaraty utilizou o mesmo método dos americanos: uma comunicação verbal, em um gesto simbólico de que o Brasil está jogando com as mesmas cartas.>
Apesar do "clima tenso" provocado por essa troca de gentilezas nada amistosas, a cúpula da Polícia Federal tenta colocar panos quentes. A ideia é tratar o episódio como um fato isolado para garantir que a cooperação de inteligência entre as duas nações, fundamental no combate ao crime transnacional, não seja destruída por esse embate diplomático.>
Por ora, a expectativa é que o fluxo de informações volte ao normal, mas o recado de Brasília foi dado: nas relações internacionais, o respeito precisa ser uma via de mão dupla.>