Brasil e outros cinco países condenam ataque dos EUA à Venezuela

Nota conjunta alerta para risco à paz regional, repudia ação unilateral em território venezuelano e pede solução pacífica para a crise.

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 17:46

Brasil e outros cinco países condenam o ataque dos EUA à Venezuela
Brasil e outros cinco países condenam o ataque dos EUA à Venezuela Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram, neste domingo (4), um comunicado conjunto condenando o ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Na nota, os seis países também manifestam grande preocupação com as ações militares conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump e alertam para os riscos à paz regional.

No documento, os governos destacam a gravidade dos acontecimentos registrados em território venezuelano e reafirmam o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas, especialmente aqueles ligados à preservação da paz, à soberania dos Estados e ao respeito ao direito internacional.

“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça de força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados”, afirma o comunicado.

Os países avaliam que as ações dos Estados Unidos criam um precedente considerado “extremamente perigoso” para a segurança regional, além de colocarem em risco a população civil. Segundo a nota, a crise na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano, sem interferência externa.

“O somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, diz outro trecho do documento, que também reforça o compromisso da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, baseada na não intervenção e na solução pacífica de conflitos.

Ao final do comunicado, os países signatários fazem um apelo à unidade regional, independentemente de diferenças políticas, diante de ações que possam ameaçar a estabilidade da região. Eles também pedem ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e a outros organismos multilaterais que atuem para reduzir as tensões e preservar a paz.

Os governos ainda manifestaram preocupação com qualquer tentativa de controle externo ou apropriação de recursos naturais ou estratégicos da região, destacando que tais ações são incompatíveis com o direito internacional e podem gerar instabilidade política, econômica e social.

Entenda

No sábado (3), explosões foram registradas em diferentes bairros de Caracas, capital da Venezuela, durante um ataque militar atribuído aos Estados Unidos. Em meio à operação, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O episódio marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão do tipo ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico.

Assim como no caso de Noriega, o governo norte-americano acusa Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como “De Los Soles”, embora especialistas em tráfico internacional de drogas questionem a existência da organização. O governo de Donald Trump chegou a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.

Críticos apontam que a ação tem motivações geopolíticas, com o objetivo de afastar a Venezuela de aliados estratégicos dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, já que o país possui as maiores reservas comprovadas do mundo.

Com informações: Agência Brasil