Brasil registra queda nos assassinatos pelo 5º ano consecutivo, aponta Ministério da Justiça

País registra queda de dois dígitos nas mortes violentas em 2025.

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08:06

 - Atualizado há 2 horas

Sirene de Polícia
Sirene de Polícia Crédito: Reprodução

O Brasil encerrou 2025 com um novo recuo no número de mortes violentas intencionais, consolidando uma tendência que se mantém há cinco anos. Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta 34.086 assassinatos no ano passado, contra 38.374 em 2024, o que representa uma redução de 11% no comparativo anual.

O balanço, atualizado até a última terça-feira (20), ainda não incorpora os dados de dezembro dos estados de São Paulo e da Paraíba. Mesmo com essa lacuna, a projeção indica que, caso as médias mensais desses estados se confirmem no último mês do ano, o total nacional ainda apresentaria retração próxima de 10,4%.

As estatísticas reúnem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, informações repassadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal. Desde 2021, os números vêm caindo de forma contínua, acumulando uma redução de cerca de 25% em relação a 2020, ano marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

Especialistas em segurança pública apontam múltiplos fatores para o cenário. Entre eles, a diminuição de confrontos armados entre facções criminosas e a consolidação de controles territoriais por grupos ilegais, o que reduz disputas violentas. Também entram na conta políticas públicas adotadas em anos pré-eleitorais e mudanças no comportamento do crime organizado. O pico histórico de assassinatos no país segue sendo 2017, quando mais de 60 mil pessoas foram mortas.

A queda foi observada em todas as regiões do país. O Sul liderou a redução proporcional, com recuo de 22%, seguido pelo Centro-Oeste (-18%), Norte (-11%), Nordeste (-10%) e Sudeste (-8%). No recorte estadual, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram as maiores quedas percentuais. Em sentido oposto, Tocantins, Rio Grande do Norte e Roraima registraram aumento no número de mortes violentas.

Em números absolutos, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco concentraram os maiores totais de assassinatos ao longo do ano. Já os menores registros foram observados em estados de menor população, como Roraima e Acre. Quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, Ceará, Pernambuco e Alagoas lideram o ranking nacional, acima da média brasileira, que caiu de 18,05 em 2024 para 15,97 em 2025.

Apesar do avanço no combate aos homicídios, um dado contrasta com a tendência geral: os feminicídios atingiram o maior número desde a criação da tipificação do crime, em 2015. Foram 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero em 2025, superando o recorde anterior, de 1.464 casos, registrado em 2024. Isso equivale a, pelo menos, quatro mortes por dia ao longo do ano.

Desde que o feminicídio passou a ser reconhecido legalmente, o país registrou um crescimento de mais de 300% nesse tipo de crime. Em 2024, o governo federal endureceu a legislação, elevando as penas para até 40 anos de prisão. Ainda assim, especialistas avaliam que os números revelam a persistência da violência de gênero e a necessidade de políticas específicas de prevenção e proteção às mulheres.