Casal de pastores é indiciado por esquema sistemático de abuso contra adolescentes em Roraima

Líderes religiosos de 24 anos usavam manipulação bíblica, dinheiro e regras da própria igreja para silenciar as vítimas.

Publicado em 16 de julho de 2026 às 09:31

Casal de pastores é indiciado por esquema sistemático de abuso contra adolescentes em Roraima
Casal de pastores é indiciado por esquema sistemático de abuso contra adolescentes em Roraima Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) revelou um esquema de violência sexual e manipulação psicológica dentro de uma comunidade religiosa em Roraima. O casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, ambos de 24 anos, é acusado de abusar de pelo menos seis meninas com idades entre 12 e 17 anos. Segundo as autoridades policiais, a dupla se aproveitava da liderança espiritual e da fé das jovens para quebrar a resistência delas e cometer os crimes, que começaram a vir à tona a partir da denúncia de uma adolescente de 14 anos no mês de abril.

O método utilizado pelo casal misturava persuasão religiosa com coerção material e psicológica. De acordo com o inquérito policial, a pastora Arielly era responsável pela aproximação inicial e conquista da confiança das vítimas. Em seguida, o pastor Wenderson entrava em cena utilizando leituras distorcidas de passagens da Bíblia para convencer as menores de que as práticas sexuais faziam parte de um propósito espiritual maior. Para garantir que os episódios ficassem em segredo, os dois também ofereciam agrados financeiros via Pix, dinheiro em espécie e convites para jantares.

A autoridade eclesiástica era usada ainda como escudo protetor contra possíveis denúncias. A investigação apontou que os suspeitos desencorajavam qualquer reclamação ao incutir nas jovens o medo de serem rotuladas como rebeldes dentro da congregação. Esse pânico moral era reforçado pelo estatuto oficial da própria instituição de fé, que trazia cláusulas punitivas com desligamento sumário para fiéis que questionassem as lideranças locais. A delegada Kamilla Basto, responsável pelo relatório final do caso, pontuou a complexidade do inquérito devido ao alto nível de dissimulação dos indiciados, ressaltando que posições de poder ou ambientes de fé não dão imunidade legal a ninguém.

A gravidade do caso aumenta com as acusações de ocultação de provas. Diante da iminência das investigações, o pastor tentou sumir com evidências importantes guardadas em seu telefone. Wenderson teria ordenado que uma jovem de 20 anos se desfizesse do celular, contando com o apoio de uma adolescente e até de uma das próprias vítimas para realizar o descarte do aparelho. Para mascarar o sumiço do celular, o suspeito ainda obrigou uma das adolescentes a registrar uma queixa policial falsa por desaparecimento de objeto. Devido a essa manobra, a jovem que ajudou na queima de arquivo também foi indiciada por fraude no processo e corrupção de menores.