Publicado em 6 de setembro de 2026 às 11:08
Em meio ao processo de recuperação judicial, as Casas Bahia são acusadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de ter pago R$ 2,98 milhões em propina a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Segundo a investigação, o objetivo seria obter vantagens no ressarcimento de créditos de ICMS.>
A acusação surgiu durante uma operação do MPSP que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais e empresas. De acordo com o Ministério Público, o esquema pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas e beneficiado dezenas de empresas.>
No mesmo caso, executivos e proprietários da Fast Shop e da Ultrafarma chegaram a ser presos. As investigações ainda estão em andamento e as responsabilidades dos envolvidos precisam ser confirmadas pela Justiça.>
A situação ocorre enquanto as Casas Bahia enfrentam uma grave crise financeira. No pedido de recuperação judicial, a companhia informou ter cerca de R$ 17 bilhões em dívidas.>
Para o advogado Luis Fernando Guerrero, especialista em recuperações judiciais, a principal preocupação neste momento é o possível impacto da investigação sobre a confiança do mercado na empresa.>
“Pode haver uma crise de confiança porque a empresa já passa por dificuldade, já negocia com credores, e agora surge essa situação que pode abalar, de algum modo, a confiança no mercado. Então, isso pode gerar algum impacto”, avaliou.>
Apesar disso, Guerrero afirma que a investigação ainda está em uma fase inicial e que uma eventual responsabilização de agentes ou administradores da companhia pode levar anos para ser definida judicialmente.>
“Do ponto de vista da recuperação, propriamente, não tem um impacto direto”, afirmou. Segundo o especialista, o principal desafio será manter o cumprimento do plano de recuperação judicial e recuperar a confiança dos credores e do mercado.>
“Passar essa confiança vai ser a ação chave”, destacou.>
Em nota, o Grupo Casas Bahia informou que criou, em março de 2026, um Comitê Independente de Investigação para acompanhar e apurar os pontos relacionados ao caso. A empresa também afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.>
A companhia declarou ainda que repudia “qualquer ato ilícito, conduta antiética ou prática que viole a legislação”.>