Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 07:28
Nesta apuração, ao menos cinco fundos administrados pela Reag acionaram o mecanismo de sigilo temporário previsto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) justamente no período em que avançavam investigações da Polícia Federal relacionadas ao caso Banco Master e à Operação Carbono Oculto.>
Os fundos Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95, todos sob gestão da Reag, recorreram à regra que permite omitir o detalhamento das carteiras por até seis meses. A administradora foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026. Os prazos de sigilo coincidem com fases mais intensas das apurações da PF, que investigam fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos para ocultar recursos ilícitos no setor de combustíveis, em um esquema associado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.>
Além dessa investigação, fundos ligados à Reag, empresa fundada por João Carlos Mansur, também passaram a ser analisados em outro inquérito da Polícia Federal. O foco é apurar se estruturas financeiras teriam sido usadas para inflar ou esconder riscos envolvendo o Banco Master, que tentou ser vendido ao Banco de Brasília, o BRB, em uma operação que acabou vetada pelo Banco Central. Essa apuração foi deflagrada em outubro e alcança outros fundos do mercado financeiro.>
Dados disponíveis indicam que, ao longo de 2025, fundos da Reag chegaram a manter cerca de R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Nos meses seguintes, houve redução gradual dessa exposição, sugerindo retirada de recursos já aplicados, e não novos aportes. Informações mais recentes sobre as carteiras não foram divulgadas devido ao acionamento do sigilo.>
Além dos títulos bancários, os fundos mantiveram posições relevantes em outros ativos. O Astralo 95, por exemplo, chegou a concentrar aproximadamente R$ 140 milhões em crédito privado e cerca de R$ 520 milhões em ações. Esses valores refletem o volume de posições mantidas ao longo do tempo, e não movimentações mensais adicionais.>
Outro ponto que chama atenção nas investigações é um bloqueio judicial realizado em 29 de abril de 2025, quando foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta de Augusto na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Segundo informações divulgadas, a medida ocorreu no âmbito de uma ação de execução de dívida movida pela família ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024. O pedido buscava o bloqueio de bens dos banqueiros do Master no valor original da dívida, estimado em R$ 470,5 milhões.>