Caso Master deve encarecer crédito e investimentos, diz presidente do Itaú

A avaliação é do presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, que alertou para o aumento do custo do crédito e dos investimentos como consequência do colapso do banco.

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 14:57

Milton Maluhy
Milton Maluhy Crédito: Divulgação 

A crise envolvendo o Banco Master deve gerar impactos que vão além das instituições diretamente atingidas e acabar recaindo sobre toda a sociedade. A avaliação é do presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, que alertou para o aumento do custo do crédito e dos investimentos como consequência do colapso do banco.

“Um evento dessa magnitude, no fim do dia, gera impacto para a sociedade no custo de captação, no preço dos investimentos e dos empréstimos. Essa conta vai ser paga. Esse dinheiro ‘desaparece’, mas sai de outro lugar depois”, afirmou Maluhy nesta quinta-feira (5/2), durante coletiva de imprensa sobre os resultados do Itaú em 2025.

A liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank pode consumir cerca de 30% do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estimado entre R$ 41 bilhões e R$ 47 bilhões, o que deve impor custos adicionais aos grandes bancos e pressionar o sistema financeiro.

Segundo Maluhy, ao longo do tempo, o FGC passou a ser usado por algumas plataformas como ferramenta de alavancagem para expandir operações e sustentar modelos de negócio que se mostraram insustentáveis. “É preciso curadoria, transparência e responsabilidade diária antes de colocar um produto na prateleira”, destacou.

O rombo associado ao colapso do Banco Master ultrapassa R$ 50 bilhões. Para recompor o fundo, está em discussão a antecipação das contribuições dos bancos referentes aos próximos anos, já a partir de 2026. A proposta prevê o adiantamento equivalente a cinco anos de aportes, o que pode somar cerca de R$ 30 bilhões. “O aporte vai ser feito, mas precisamos atenuar ao máximo o custo para os bancos e, consequentemente, para a sociedade”, disse o executivo.

Maluhy também defendeu mudanças na regulação para evitar novos episódios semelhantes. “É evidente que não podemos permitir que algo dessa magnitude volte a acontecer da forma como aconteceu”, concluiu.

Com informações do Correio Braziliense