Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17:20
Após o Carnaval, o Supremo Tribunal Federal deve decidir pelo retorno do caso Master à primeira instância, onde as investigações sobre fraudes financeiras bilionárias tramitavam separadamente nas justiças de Brasília e de São Paulo. A decisão caberá ao ministro Dias Toffoli, relator do caso na Corte.>
A possibilidade de devolução dos inquéritos é discutida internamente como uma forma de afastar o STF do desgaste gerado pela condução do processo. Toffoli tem sido alvo de críticas por decisões consideradas atípicas até mesmo por colegas do tribunal.>
Nos últimos dias, o presidente do STF, Edson Fachin, intensificou conversas com ministros da Corte. Ele retornou antes do fim das férias para dialogar com Toffoli, esteve no Maranhão para se reunir com Flávio Dino e foi a São Paulo para encontrar o ex-decano Celso de Mello. Fachin também conversou por telefone com a ministra aposentada Rosa Weber.>
A defesa do retorno à primeira instância ganhou força após Fachin afirmar, a pessoas próximas, que em uma democracia não cabe ao presidente do STF retirar a relatoria de um ministro.>
Os inquéritos chegaram ao Supremo após a Polícia Federal apreender, durante a operação Compliance Zero, um documento que citava o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Como parlamentares têm foro privilegiado, as defesas solicitaram o envio do caso ao STF. Desde então, no entanto, não surgiram documentos ou provas que envolvam o deputado, que sequer é investigado.>
Com a conclusão das apurações da Polícia Federal e a ausência de novos fatos relacionados a Bacelar, integrantes da Corte avaliam que não há mais motivo para manter o processo no Supremo.>
A atuação de Toffoli no caso também é alvo de críticas nos meios político e jurídico. Entre as decisões que geraram controvérsia estão a restrição de acesso da Polícia Federal a celulares apreendidos e a determinação de uma acareação entre técnicos do Banco Central, responsáveis pela liquidação do banco Master, e executivos da instituição ligados ao empresário Daniel Vorcaro.>
Além disso, veio a público a informação de que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro em um resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, o que ampliou o debate em torno do caso.>