Publicado em 2 de setembro de 2026 às 15:56
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (2), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de trabalho. A aprovação ocorreu em votação simbólica, sob o registro de quatro manifestações contrárias de parlamentares da oposição. Agora, o texto segue para a análise do Plenário do Senado, cabendo ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a decisão de incluí-lo na pauta de votações. Para acelerar a tramitação do projeto, a CCJ aprovou um requerimento de calendário especial.>
A proposta estabelece a redução do limite da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem que ocorra qualquer redução salarial para o trabalhador. O texto também assegura dois dias de descanso remunerado por semana, devendo um deles ser preferencialmente aos domingos. A transição da jornada será gradual: inicialmente, a carga máxima cairá para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação da PEC e, um ano depois, atingirá o limite definitivo de 40 horas. Convenções e acordos coletivos ainda poderão definir formatos de organização específicos, desde que as normas constitucionais sejam respeitadas.>
O relator da matéria na comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), optou por rejeitar todas as mais de 35 emendas apresentadas pelos seus pares, justificando que nenhuma delas corrigia vícios ou aperfeiçoava a proposta. Com essa postura, Aziz manteve integralmente o teor do texto que já havia sido aprovado em maio pela Câmara dos Deputados, uma estratégia adotada justamente para dar mais velocidade à tramitação legislativa no Senado.>
Durante a sessão, a oposição tentou postergar a análise do tema. O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), chegou a apresentar um requerimento para que fosse dada preferência a uma proposta alternativa baseada na remuneração por horas trabalhadas, mas o pedido acabou rejeitado. Diante disso, os parlamentares de oposição solicitaram um pedido de vista, que foi concedido pelo presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), sob o prazo de uma hora.>
Por se tratar de uma emenda constitucional, a matéria precisará passar por cinco sessões de discussão antes de ir a voto no Plenário do Senado, onde necessitará do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação. Caso a proposta seja aprovada pelos senadores sem que sejam feitas novas alterações no texto vindo da Câmara, ela poderá ser promulgada diretamente pelo Congresso Nacional, sem precisar passar por sanção presidencial.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>