Céu encoberto, multas milionárias e prisões: o cerco aperta contra crimes ambientais no Amazonas

Com o ar de Manaus atingindo níveis perigosos de poluição, força-tarefa prende 11 pessoas, aplica mais de R$ 167 milhões em multas e intensifica o combate às chamas em dezenas de municípios.

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 09:09

Céu encoberto, multas milionárias e prisões: o cerco aperta contra crimes ambientais no Amazonas
Céu encoberto, multas milionárias e prisões: o cerco aperta contra crimes ambientais no Amazonas Crédito: Reprodução/Redes sociais

A fumaça densa que tomou conta de cidades como Manaus e o avanço alarmante das chamas levaram o governo do Amazonas a endurecer o cerco contra a destruição ambiental. O balanço oficial divulgado neste domingo (18), durante um comitê estratégico com ministros e autoridades, revelou um cenário crítico que motivou a decretação de emergência por incêndios em 36 municípios, além de um decreto estadual que suspendeu o uso do fogo em todo o território por 120 dias para tentar conter o avanço do descontrole climático agravado pelos impactos do fenômeno El Niño.

As ações de fiscalização e repressão já começaram a mostrar resultados práticos nas ruas e matas. No último sábado (17), uma operação da Polícia Militar resultou na prisão de 11 pessoas envolvidas diretamente em crimes ambientais na cidade de Autazes, localizada a 267 quilômetros da capital. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades para não atrapalhar os desdobramentos das investigações.

No front da fiscalização, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma cifra pesada: foram mais de R$ 167 milhões em multas e 421 embargos aplicados, totalizando uma área superior a 65 mil hectares bloqueada por irregularidades.

Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) já atuou no combate a impressionantes 22.974 focos de incêndio no estado, sendo a esmagadora maioria no interior (18.306) e o restante na capital (4.668). A polícia também registrou dezenas de ocorrências formais, contabilizando 66 boletins por incêndio e 151 por desmatamento.

Essa pressão toda tem um motivo urgente. A qualidade do ar na região chegou a marcas extremas, como os 693 pontos registrados em Manaus, um índice considerado perigoso pela plataforma internacional IQAir.

Para virar esse jogo, o estado montou uma superoperação. Cerca de 1,5 mil agentes entre bombeiros e brigadistas municipais e federais estão na linha de frente em 36 cidades, apoiados por 96 viaturas, drones e 25 bases permanentes no interior através de frentes como as operações Tamoiotatá, Alerta Fogo e Amazonas+Verde.

A União também entrou forte na parceria, enviando reforços do programa Floresta em Pé, tropas das Forças Armadas e da Força Nacional, além de turbinar a frota de apoio aéreo, que saltou de 11 para 16 aeronaves no combate diário contra o fogo.