Publicado em 29 de abril de 2026 às 17:15
O Brasil conquistou um lugar que ninguém gostaria de ocupar: o topo de uma lista global de desinformação. Dados recentes das Community Notes (Notas da Comunidade) da plataforma X, uma ferramenta onde os usuários colaboram para contextualizar posts enganosos, apontam que o perfil Choquei figura como o terceiro perfil que mais espalhou informações contestadas no mundo, liderando de forma isolada no território brasileiro.>
O levantamento não reflete apenas um erro ocasional, mas um volume massivo de publicações que precisaram de intervenção direta para que o público não fosse induzido ao erro. Esse pódio da desconfiança coloca a página ao lado de grandes contas internacionais, evidenciando que o modelo de "engajamento rápido" praticado pelo perfil é um dos mais vulneráveis à propagação de notícias falsas em escala global.>
Como funciona o ranking do X?>
A classificação é baseada no sistema de moderação colaborativa da rede social. Quando uma postagem é feita, usuários qualificados podem adicionar uma nota explicativa. Se a nota é considerada útil por pessoas de diferentes pontos de vista, ela passa a ser exibida para todos. No caso da Choquei, a frequência com que essas notas aparecem indica que:>
• A página frequentemente publica prints sem links para fontes oficiais.>
• Há um padrão de antecipação de fatos que ainda não foram confirmados.>
• Informações de entretenimento e política são misturadas sem o devido rigor de apuração.>
Embora o dado do X seja o mais preciso em termos de métricas, o impacto dessa liderança negativa é sentido em toda a internet. Outros perfis brasileiros, como o POPTime, também aparecem no Top 100 mundial, mas a distância para a Choquei é considerável. Isso mostra que o perfil se tornou o maior expoente de um fenômeno que especialistas chamam de "infodemia", a rápida propagação de informações, muitas vezes falsas, que dificultam o acesso a orientações confiáveis.>
Essa estatística ganha contornos mais sérios quando lembramos que a desinformação não fica restrita aos números. Casos graves, como o episódio envolvendo a jovem Jéssica Vitória Canedo em 2023, demonstraram que o alcance de uma página que lidera rankings de "fake news" pode ter consequências irreversíveis. O dado atual de que o perfil é o 3º do mundo apenas confirma o que muitos especialistas já alertavam: o Brasil lida com uma gigante da audiência que, estatisticamente, é uma das maiores fontes de imprecisão informativa do planeta.>