Comissão conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar em 1976

Relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aponta que morte em 1976 não foi acidente, mas crime de perseguição política.

Publicado em 8 de maio de 2026 às 21:53

(Ex-presidente Juscelino Kubitschek)
(Ex-presidente Juscelino Kubitschek) Crédito: Arquivo Público

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu, em relatório de mais de 5 mil páginas, que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de assassinato político pela ditadura militar, e não de um acidente automobilístico, como sustentava a versão oficial há quase 50 anos.

O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso, será votado nas próximas semanas pelos sete conselheiros da comissão. Se aprovado, recomenda a retificação das certidões de óbito de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, para registrar que as mortes decorreram de perseguição política pelo Estado brasileiro.

Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, aos 73 anos, na Via Dutra (BR-116), próximo a Resende (RJ). A versão oficial da época afirmava que o Chevrolet Opala em que viajava colidiu com um ônibus, atravessou a pista e bateu em um caminhão, resultando na morte de JK e do motorista.

O novo relatório aponta inconsistências técnicas nos laudos produzidos durante a ditadura, reunindo perícias, investigações anteriores do Ministério Público Federal e conclusões de comissões da verdade estaduais (como as de São Paulo e Minas Gerais). Segundo o documento, houve uma “ação externa” que provocou a saída do veículo da pista, configurando um atentado.

Contexto político

Cassado após o golpe de 1964, JK mantinha influência política e era visto como possível candidato em uma eventual redemocratização. Sua morte ocorreu em um período de intensa repressão, pouco antes do início da distensão lenta promovida pelo governo Geisel.

A conclusão da CEMDP contraria o entendimento da Comissão Nacional da Verdade (2014), que havia mantido a tese de acidente.

A votação do relatório ocorre às vésperas dos 50 anos da morte de JK, em agosto de 2026. O ex-presidente ficou marcado na história brasileira pela construção de Brasília, pelo lema “50 anos em 5” e pelo impulso à industrialização e modernização do país na segunda metade dos anos 1950.

Reações

Familiares de JK, como a neta Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK, têm acompanhado o caso e defendem o reconhecimento da responsabilidade do Estado.

A CEMDP, recriada no governo Lula após extinção na gestão Bolsonaro, tem como missão reconhecer vítimas da repressão política entre 1946 e 1988, com base na Lei 9.140/1995.

O relatório ainda está em análise pelos conselheiros. Sua aprovação representaria uma reviravolta histórica no caso, um dos mais controversos da ditadura militar.

Com informações do portal Metrópoles