Comissão de 10% teria rendido R$ 188 milhões a políticos e agentes; diz Vorcaro

Em alguns casos, os valores teriam sido entregues em dinheiro vivo.

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 17:08

Conversas expõem pressão de Danile Vorcaro sobre cobertura jornalística do portal Metrópoles -
Conversas expõem pressão de Danile Vorcaro sobre cobertura jornalística do portal Metrópoles - Crédito: Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em sua tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada, que intermediários recebiam uma comissão de 10% sobre cada operação de captação de recursos de fundos previdenciários de governos destinados à aplicação em letras financeiras do banco.

Ao mencionar os intermediários, Vorcaro faz referência a agentes do mercado financeiro e políticos.

Segundo informações do Ministério da Previdência, 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios aplicaram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024.

Caso o percentual citado por Vorcaro esteja correto, ao menos R$ 188 milhões teriam sido repassados a intermediários — entre eles, políticos de diferentes partidos — exclusivamente como pagamento de comissões. Em alguns casos, os valores teriam sido entregues em dinheiro vivo.

Os fundos previdenciários estaduais e municipais são instituições responsáveis por administrar os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos efetivos. Seu financiamento ocorre por meio de contribuições dos próprios funcionários e dos governos.

Conforme divulgado ontem pela coluna, Vorcaro apontou o presidente do PSD, Gilberto Kassab, como um dos possíveis beneficiários desses valores.

De acordo com uma reportagem do UOL, os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda também teriam trabalhado em favor do Master junto aos institutos de previdência.

Os três políticos negam as declarações de Vorcaro e afirmam que não receberam pagamentos irregulares.

O ex-banqueiro, proprietário do Master, teve três propostas de colaboração premiada recusadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os órgãos avaliaram que Vorcaro teria omitido informações sobre fatos que já haviam sido identificados durante as investigações.

Ele está detido desde 4 de março, quando foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF. Atualmente, cumpre prisão preventiva na Papudinha, localizada no Complexo da Papuda, em Brasília.