Como o metanol chegou às bebidas? Polícia tem duas hipóteses

De acordo com o governo estadual, 15 casos foram confirmados, com duas mortes, e 164 seguem em investigação, com outras seis mortes suspeitas.

Publicado em 7 de outubro de 2025 às 14:20

Metanol
Metanol Crédito: Reprodução 

A Polícia Civil de São Paulo trabalha com duas principais linhas de investigação para explicar os casos de bebidas adulteradas com metanol que vêm causando intoxicações e mortes no estado.

A primeira hipótese é que o metanol tenha sido usado para higienizar garrafas reaproveitadas, que acabaram voltando ao mercado sem passar pela reciclagem adequada.

A segunda linha aponta para o uso intencional da substância na produção de bebidas falsificadas, com o objetivo de aumentar o volume da produção de forma ilegal. Há ainda a possibilidade de que o falsificador tenha tentado adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminado por metanol.

Laudos da Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmaram a presença do produto tóxico em bebidas de duas distribuidoras no estado.

Casos e vítimas

De acordo com o governo estadual, 15 casos foram confirmados, com duas mortes, e 164 seguem em investigação, com outras seis mortes suspeitas.

A morte de uma mulher de 30 anos em São Bernardo do Campo ainda não entrou no balanço oficial por ter sido registrada após a última atualização.

Em nota divulgada à noite, o Ministério da Saúde confirmou que São Paulo concentra 82,5% de todos os casos investigados no país.

O metanol é um tipo de álcool usado industrialmente em solventes, combustíveis e produtos de limpeza.

A substância é altamente tóxica para o corpo humano: ao ser ingerida, o fígado a transforma em compostos que atacam o sistema nervoso central, a medula, o cérebro e o nervo óptico — podendo causar cegueira, coma e até morte.

Casos graves também envolvem falência renal e respiratória. Por não alterar cor, cheiro ou sabor, o metanol é considerado uma substância traiçoeira, que só pode ser identificada por análises laboratoriais.

Garrafas reaproveitadas e mercado clandestino

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que o problema tem relação direta com o mercado ilegal de garrafas reaproveitadas.

“Existem regras de logística reversa que não estão sendo cumpridas. Garrafas que deveriam ir para a reciclagem acabam sendo vendidas no mercado clandestino e viram matéria-prima para falsificadores”, explicou.

Tarcísio informou que o governo pedirá à Justiça a destruição de garrafas, rótulos, lacres, tampas e selos apreendidos durante as fiscalizações.

Na última semana, mais de 7 mil garrafas suspeitas de falsificação foram recolhidas em diferentes regiões do estado.

O governador e o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, descartaram qualquer envolvimento do PCC ou de outras facções criminosas. Segundo eles, o negócio é pouco lucrativo se comparado ao tráfico de drogas.

Quais bebidas estão sendo adulteradas

Os casos de intoxicação registrados até o momento envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin.

Especialistas ressaltam que, embora o risco maior esteja nesses produtos, nenhuma bebida pode ser considerada 100% segura neste momento.

Segundo médicos ouvidos pelo G1, cervejas, vinhos e chopes têm menor vulnerabilidade à adulteração, especialmente pela forma de envase.

A cerveja em lata é considerada a opção mais segura, já que o recipiente é difícil de falsificar.

Com informações do G1