Comunidade denuncia intolerância religiosa após PM interromper ritual de Tambor de Mina em Manaus

A comunidade pede apuração dos fatos e responsabilização dos agentes envolvidos

Publicado em 29 de junho de 2026 às 09:32

A comunidade pede apuração dos fatos e responsabilização dos agentes envolvidos
A comunidade pede apuração dos fatos e responsabilização dos agentes envolvidos Crédito: Reprodução 

Uma cerimônia tradicional de Tambor de Mina realizada na noite de sábado (26), na Zona Norte de Manaus, terminou em denúncia de intolerância religiosa e abuso de autoridade. Integrantes da comunidade afirmam que policiais militares interromperam o ritual, entraram no templo sem mandado judicial e recolheram instrumentos considerados sagrados pela religião.

A cerimônia ocorria no templo AJIGBE Eira de Mina Jeje-Nagô Nossa Senhora da Conceição, no bairro Cidade Nova, e, segundo os organizadores, era uma celebração realizada apenas uma vez por ano. A Polícia Militar foi acionada após uma denúncia de suposta perturbação do sossego.

De acordo com a Iyanifa Mayara Araújo e o zelador Heriberto Sena Jr., os primeiros agentes que chegaram ao local foram informados de que se tratava de um culto religioso protegido pela Constituição Federal. Eles explicaram ainda que não havia equipamentos de amplificação sonora, sendo utilizados apenas tambores sagrados, xequerês e cânticos litúrgicos, e que a cerimônia já se aproximava do encerramento.

Os relatos apontam que a situação mudou quando outros policiais assumiram a ocorrência. Segundo testemunhas, os agentes passaram a exigir o fim imediato do ritual, mesmo após os participantes alegarem o direito à liberdade religiosa e destacarem o caráter laico do Estado brasileiro.

A tensão aumentou com a chegada de um oficial superior. Conforme os praticantes, houve ameaças de prisão caso a cerimônia não fosse encerrada. O sacerdote responsável pelo templo teria tentado intermediar a situação, informando ser advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e que acompanharia juridicamente a ocorrência, mas suas argumentações teriam sido ignoradas.

Na sequência, os policiais entraram no espaço religioso e apreenderam instrumentos utilizados no ritual. A comunidade afirma que os objetos possuem valor espiritual e simbólico para a tradição do Tambor de Mina e que o manuseio ocorreu de forma desrespeitosa, provocando indignação entre os participantes.

O caso foi encaminhado ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Segundo os envolvidos, além da apreensão dos instrumentos, houve tratamento considerado intimidador durante o deslocamento e o registro da ocorrência. A comunidade pede apuração dos fatos e responsabilização dos agentes envolvidos.