Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 08:49
Quase 24 anos após o assassinato de Fernanda Orfali, a Justiça conseguiu localizar e prender o empresário Sérgio Nahas, condenado pelo crime ocorrido em São Paulo, em 2002. A captura foi realizada no último sábado (17), em Praia do Forte, no município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia, curiosamente, o mesmo local escolhido pelo casal para a lua de mel antes da morte da vítima.>
Nahas, hoje com 61 anos, teve a prisão determinada após o esgotamento de todos os recursos judiciais. O mandado foi expedido no fim de junho de 2025, quando a condenação passou a ser definitiva, com pena fixada em oito anos e dois meses de reclusão em regime fechado. Diante da ausência do réu, seu nome e imagem foram inseridos na lista de procurados da Difusão Vermelha da Interpol.>
A localização do empresário foi possível graças ao sistema de monitoramento por reconhecimento facial instalado na região turística. Após o alerta, equipes da Polícia Militar realizaram a abordagem. Segundo a corporação, Nahas estava hospedado em um condomínio de alto padrão e portava 17 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, cartões de crédito, medicamentos de uso contínuo e um veículo de luxo, modelo Audi.>
O homicídio ocorreu no apartamento do casal, na capital paulista. Fernanda Orfali tinha 28 anos na época. De acordo com o Ministério Público, o crime foi motivado por conflitos conjugais, intensificados após a vítima descobrir traições e o uso de drogas por parte do marido, além do temor do empresário em relação a uma possível separação e à divisão do patrimônio.>
A acusação sustenta que Fernanda se refugiou em um closet para se proteger, mas teve o local arrombado. Em seguida, Nahas teria efetuado dois disparos: o primeiro atingiu a vítima e o segundo saiu pela janela do imóvel, conforme apontou a perícia oficial.>
Durante o processo, a defesa alegou que Fernanda enfrentava um quadro de depressão e apresentou escritos pessoais da vítima, sugerindo ideação suicida. No entanto, exames da Polícia Técnico-Científica não identificaram resíduos de pólvora nas mãos da jovem, o que enfraqueceu essa versão. A defesa argumentou, ainda, que a arma utilizada não deixaria vestígios nas mãos, apenas na roupa.>
Inicialmente, Sérgio Nahas chegou a ser detido por porte ilegal da arma utilizada no crime, mas foi colocado em liberdade após 37 dias. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo o condenou a sete anos de prisão em regime semiaberto. O caso avançou até o Supremo Tribunal Federal, que, a pedido do Ministério Público, aumentou a pena e endureceu o regime de cumprimento.>
Com o trânsito em julgado da decisão em 2025, a prisão tornou-se obrigatória. Agora detido, Nahas deverá ser transferido para cumprir a pena determinada pela Justiça paulista, encerrando um dos casos mais longos e emblemáticos de homicídio julgados no estado.>