Publicado em 28 de março de 2026 às 14:27
As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em sua política sobre transfusões de sangue, passando a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos. A nova diretriz autoriza a remoção, armazenamento e posterior reinfusão do sangue do próprio paciente, como em cirurgias previamente programadas.>
Apesar da mudança, a restrição ao uso de sangue de outras pessoas permanece inalterada. A organização continua orientando seus integrantes a não aceitarem transfusões de doadores, com base em interpretações bíblicas que, segundo o grupo, determinam a abstinência de sangue.>
O anúncio foi feito por Gerrit Losch, que destacou a responsabilidade individual dos fiéis na tomada de decisões. “Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”, afirmou.>
Mesmo com a atualização, representantes do grupo reforçaram que a crença central sobre a “santidade do sangue” segue inalterada. As Testemunhas de Jeová são conhecidas mundialmente por práticas como o evangelismo de porta em porta e afirmam reunir cerca de nove milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.>
A mudança, no entanto, gerou críticas de ex-integrantes. O americano Mitch Melon afirmou que a nova política ainda limita decisões em situações de risco. Segundo ele, casos de emergência ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer, continuam sem garantir plena liberdade para aceitar transfusões de sangue doado.>
O debate sobre o tema também tem sido discutido em tribunais. Em dezembro do ano passado, um caso na Edimburgo, na Escócia, autorizou médicos a realizarem transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos, caso fosse necessário após cirurgia. A jovem havia recusado o procedimento por motivos religiosos, mas a Justiça entendeu que a medida poderia ser adotada para preservar sua vida.>