Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados para cremação e transformação em adubo

Famílias dos cinco músicos decidiram em comum acordo converter restos mortais em nutrientes para plantio de árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde o grupo viveu.

Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 11:00

Os cinco integrantes da banda morrem em acidente aéreo em 1996 - 
Os cinco integrantes da banda morrem em acidente aéreo em 1996 -  Crédito: Redes sociais

Quase três décadas após a tragédia que chocou o país, os corpos dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas passarão por um processo de exumação nesta segunda-feira (23). A decisão, tomada em comum acordo entre as famílias, prevê a cremação dos restos mortais e a transformação das cinzas em adubo, que será utilizado no plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde os músicos cresceram e iniciaram a trajetória artística.

O acidente ocorreu em 2 de março de 1996, quando o jatinho Learjet 25D, prefixo PT-LSD, que transportava a banda de volta de um show em Brasília, chocou-se contra a Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo, durante uma tentativa de arremetida. Além de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, morreram o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o copiloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.

Os Mamonas viviam o momento mais intenso da carreira quando a tragédia aconteceu. O primeiro e único álbum, lançado em junho de 1995, havia vendido 1,8 milhão de cópias nos oito meses seguintes — número que hoje ultrapassa 3 milhões, tornando-se o terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais em todos os tempos. O grupo fazia cerca de 30 apresentações por mês e preparava-se para a primeira turnê internacional, com shows marcados em Portugal a partir de 3 de março daquele ano.

A irreverência de músicas como "Pelados em Santos", "Vira-Vira" e "Robocop Gay" conquistara crianças, adolescentes e adultos, transformando os garotos humildes de Guarulhos em fenômeno nacional. O show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, na noite de 2 de março, seria o último da turnê brasileira antes da viagem à Europa.

O velório dos músicos, realizado no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos, reuniu cerca de 30 mil pessoas. Amigos e fãs cantaram sucessos como "Sabão Crá-Crá" e "Pelados em Santos" em meio aos caixões cobertos por bandeiras do Brasil — o de Dinho trazia ainda uma camisa do Corinthians.

Mais de cem mil pessoas acompanharam o cortejo até o cemitério Parque das Primaveras I, onde os cinco integrantes foram sepultados no mesmo túmulo, ao lado do ajudante de palco Isaac Souto. A cerimônia, com pouco mais de 40 minutos, incluiu um emocionado "Parabéns a você" em homenagem a Dinho, que completaria 25 anos naquele 4 de março.