Cubanos superam venezuelanos e lideram pedidos de refúgio no Brasil

Com alta de 88% nas solicitações em 2025, cidadãos da ilha respondem por mais da metade dos casos registrados no país.

Publicado em 22 de junho de 2026 às 13:34

Cidadãos de Cuba lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos.
Cidadãos de Cuba lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos. Crédito: Reprodução

Os cidadãos de Cuba lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos, que ocuparam o topo do ranking por diversos anos. Segundo o estudo Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Ministério da Justiça, as solicitações de cubanos somaram 41.919, o que representa 55,4% de todos os casos registrados no país no ano passado.

O volume total de pedidos de refúgio no Brasil teve um aumento de 10,9% em comparação a 2024, atingindo a marca de 75.599 solicitações. Esse crescimento é impulsionado principalmente pela situação em Cuba, que enfrenta uma economia debilitada e um momento de tensão com os Estados Unidos. O relatório aponta que, desde janeiro de 2026, um bloqueio ao petróleo destinado à ilha tem provocado constantes apagões no país caribenho.

Enquanto os venezuelanos ficaram em segundo lugar, com 21.233 pedidos, seguidos pelos colombianos (1.432), o perfil dos solicitantes cubanos chama a atenção por ser distinto: a maioria (67,8%) das pessoas que buscam refúgio vindo da ilha tem mais de 60 anos. No perfil geral de todas as nacionalidades, o grupo predominante é composto por homens entre 25 e 40 anos.

A região Norte do Brasil continua sendo a principal porta de entrada e local de registro, concentrando 52,4% das solicitações decididas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). O estado de Roraima registrou o maior volume (32%), seguido pelo Amapá (12,6%) e Amazonas (4,8%).

O refúgio é uma proteção legal oferecida a quem enfrenta risco de vida por motivos como guerras, crises climáticas ou perseguição. O Brasil garante a esses indivíduos o acesso ao trabalho, educação, saúde e documentação legal, sendo proibida a devolução do refugiado ao país onde sua vida corra perigo. Especialistas do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) destacam que o volume de 2025 reflete uma retomada dos fluxos migratórios após o período de restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Ana Cássia Sousa.