Publicado em 15 de setembro de 2026 às 12:45
A relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornou-se o centro de uma das crises mais graves da história recente do Judiciário brasileiro. O desgaste, que envolve cifras milionárias e trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal, atingiu o auge nesta terça-feira (15), com a deliberação do plenário da Corte sobre a abertura de uma investigação formal contra o magistrado.>
Para compreender como a proximidade entre as partes evoluiu de contatos profissionais para o julgamento decisivo, é necessário acompanhar a linha do tempo e os desdobramentos dessa apuração:>
Os primeiros vínculos e o contrato de advocacia>
A aproximação entre o universo do ministro e o comando do Banco Master começou no campo corporativo. O escritório de advocacia liderado por Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, firmou contratos de prestação de serviços jurídicos para a instituição financeira presidida por Daniel Vorcaro.>
Enquanto a defesa do ministro sustentou que as atuações foram estritamente técnicas, a relação comercial passou a ser monitorada à medida que o banco se tornou alvo de apurações do Banco Central e de autoridades federais.>
Novembro de 2025: As 52 mensagens no iPhone e a prisão>
Entre os dias 12 e 17 de novembro de 2025, na véspera da deflagração da Operação Compliance Zero, o celular de Vorcaro registrou 52 capturas de tela enviadas a um contato atribuído a Moraes. Nas anotações, o empresário demonstrava apreensão com o avanço de decisões regulatórias, questionava sobre possíveis bloqueios e perguntava se deveria deixar o país.>
No dia 18 de novembro, a PF prendeu o banqueiro e apreendeu seus dispositivos, no mesmo momento em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.>
Setembro de 2026: Vazamento do relatório e choque entre ministros>
A crise eclodiu publicamente em 31 de agosto de 2026, quando o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o relatório analítico da Polícia Federal sobre as mensagens.>
A iniciativa gerou forte reação de Moraes, que acusou Mendonça de abuso de autoridade e uso político do processo. O presidente da Corte, Edson Fachin, precisou intervir para centralizar as petições e conter a escalada de desentendimentos na Suprema Corte.>
14 e 15 de setembro de 2026: A entrega das provas e a data do julgamento>
Na véspera do julgamento, segunda-feira (14), o ministro Cristiano Zanin obteve junto à Polícia Federal a cópia integral do iPhone 17 Pro de Vorcaro para garantir que todos os gabinetes tivessem acesso equitativo às provas. Paralelamente, Moraes encaminhou nota ao tribunal afirmando que os diálogos são "fantasiosos", que jamais respondeu às abordagens e que o relatório se baseia em ilações.>
Com a manifestação da PGR favorável ao fim do sigilo, cabe ao plenário do STF, na sessão desta terça-feira (15), decidir sobre a validade das apurações e o futuro do processo.>