Daniel Vorcaro teria exercido influência sobre oito veículos de comunicação, aponta levantamento

Mensagens e documentos analisados pelo UOL indicam pedidos de alterações em reportagens, acesso antecipado a conteúdos e negociações comerciais envolvendo o dono do Banco Master e profissionais da imprensa.

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 12:34

Mensagens e documentos analisados pelo UOL indicam pedidos de alterações em reportagens, acesso antecipado a conteúdos e negociações comerciais envolvendo o dono do Banco Master e profissionais da imprensa.
Mensagens e documentos analisados pelo UOL indicam pedidos de alterações em reportagens, acesso antecipado a conteúdos e negociações comerciais envolvendo o dono do Banco Master e profissionais da imprensa. Crédito: Reprodução Internet

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria exercido influência sobre oito veículos de comunicação no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo UOL. A apuração aponta que mensagens e documentos revelam contatos entre o banqueiro, jornalistas e executivos de empresas de mídia, com registros de solicitações relacionadas à publicação de reportagens.

Entre as situações identificadas estão pedidos de mudanças em textos jornalísticos, acesso antecipado a conteúdos antes da publicação e negociações comerciais envolvendo a divulgação de informações sobre o banco e os interesses empresariais de Vorcaro.

O levantamento cita Metrópoles, Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ, Diário do Centro do Mundo (DCM), CartaCapital, Portal Leo Dias e Consultor Jurídico (ConJur).

Metrópoles teria alterado reportagens após pedidos

De acordo com a reportagem do UOL, o portal Metrópoles teria submetido ao menos 14 reportagens à avaliação de Daniel Vorcaro antes da publicação. Desse total, 11 teriam sido alteradas após solicitações do banqueiro.

Contatos com o Brazil Journal e o PlatôBR

No Brazil Journal, mensagens indicariam que o fundador do veículo, Geraldo Samor, consultava Vorcaro sobre reportagens relacionadas ao Banco Master antes da publicação. Segundo o levantamento, o banqueiro solicitava alterações e recebia confirmações de que os pedidos haviam sido atendidos.

Já no PlatôBR, a relação ocorria por meio de Flávio Carneiro, cuja empresa, Foone, integrava o quadro societário do site. Conforme a apuração, em março de 2025, após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, Carneiro combinou com Vorcaro o envio de textos para avaliação prévia.

Influência sobre IstoÉ, DCM e CartaCapital

A investigação também aponta que Vorcaro mantinha influência sobre as revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro. Em 2024, o banqueiro teria solicitado uma capa da IstoÉ Dinheiro sobre a farmacêutica Biomm, empresa na qual havia investido.

No caso do Diário do Centro do Mundo (DCM), mensagens reveladas pelo UOL indicariam pagamentos mensais para evitar a publicação de críticas a Vorcaro e ao Banco Master.

A CartaCapital também aparece no levantamento. Segundo a apuração, a relação comercial teve início em 2021, quando o então Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master, firmou um contrato publicitário com a revista.

Portal Leo Dias e Grupo Globo

O Portal Leo Dias também é citado em mensagens relacionadas às negociações de Vorcaro para investir no setor de comunicação.

O levantamento ainda menciona Frederic Kachar, ex-executivo do Grupo Globo. A relação entre Kachar e o banqueiro envolveria pedidos relacionados a publicações jornalísticas. Kachar foi demitido na quinta-feira (15), segundo as informações divulgadas.

Consultor Jurídico e fórum em Londres

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro também mostram contatos com Márcio Chaer, fundador e então diretor do portal Consultor Jurídico (ConJur), um dos veículos mencionados no levantamento.

Segundo reportagem da Jovem Pan, o banqueiro financiou um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024, que contou com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autoridades e empresários.

As revelações levantam questionamentos sobre a independência editorial e a relação entre interesses financeiros e a produção de notícias. Os registros mencionados nas reportagens apontam para possíveis interferências no processo jornalístico e reacendem o debate sobre transparência nas relações comerciais entre veículos de comunicação e empresários.

Texto: Lays Santos