Delegada da Polícia Civil do Pará é presa em Brasília acusada de vazar dados para o PCC

Suspeita de receber R$ 50 mil em troca de proteção e informações sigilosas a uma liderança da facção, agente foi alvo de mandado na capital federal.

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 08:49

Delegada da Polícia Civil do Pará é presa em Brasília acusada de vazar dados para o PCC
Delegada da Polícia Civil do Pará é presa em Brasília acusada de vazar dados para o PCC Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma operação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco resultou na prisão, nesta quinta-feira (15), da delegada paraense Maria Virgínia Grimwood Pinto, localizada no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília (DF). Batizada de Operação Sinalagma, a ofensiva apura um esquema complexo de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e tráfico de drogas que já movimentou mais de R$ 14 milhões, e agora mira o envolvimento de agentes públicos com o crime organizado.

O cerco contra a delegada começou a se fechar a partir de investigações sobre Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão” e apontado como chefão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE). Renato foi preso em janeiro de 2025 e, com a autorização da Justiça para a extração de dados do seu celular apreendido, os investigadores descobriram um relacionamento amoroso entre ele e Maria Virgínia.

A análise telemática e financeira revelou indícios de que ela teria recebido R$ 50 mil para blindar a facção, repassar dados sigilosos e conceder acesso a sistemas restritos de segurança pública.

O esquema criminoso descoberto pelo Coaf e por equipes de inteligência utilizava contas de laranjas, empresas de fachada e documentos falsos para ocultar a origem ilícita dos valores. O termo "Sinalagma", que dá nome à operação, faz referência justamente à reciprocidade e à troca de favores neste caso, a suposta corrupção institucional em troca de vantagens financeiras.

Agora, a delegada poderá responder por crimes como corrupção, quebra de sigilo funcional e colaboração direta com organização criminosa.