Deolane Bezerra é presa em nova ofensiva contra o crime organizado em São Paulo

Operação  revela conexões financeiras entre a influenciadora e a cúpula do PCC, com bloqueios que ultrapassam R$ 320 milhões.

Publicado em 21 de maio de 2026 às 08:24

Deolane Bezerra é presa em nova ofensiva contra o crime organizado em São Paulo
Deolane Bezerra é presa em nova ofensiva contra o crime organizado em São Paulo Crédito: Reprodução/Instagram/dra.deolanebezerra

A manhã desta quinta-feira (21) trouxe um novo e impactante capítulo para os milhões de seguidores da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Em uma ação coordenada entre a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público (MPSP), Deolane foi detida sob a acusação de integrar uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A "Operação Vérnix" não apenas mirou a celebridade, mas também alcançou o núcleo familiar de Marcola e outros operadores financeiros da facção, revelando um esquema que movimentou fortunas para dar aparência legal a recursos vindos de atividades ilícitas.

O que parece um enredo de série policial começou, na verdade, em 2019, dentro de presídios de segurança máxima. Na época, bilhetes manuscritos foram interceptados com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Esses papéis continham muito mais do que simples recados; eles detalhavam ordens da liderança, dinâmicas internas do grupo e planos de ataques contra servidores públicos. A partir desse material, a polícia puxou o fio de uma meada que revelou a existência de uma transportadora usada como fachada para o crime organizado, resultando em uma investigação que uniu o ambiente carcerário ao mundo empresarial.

Ao avançar nas diligências e apreender dispositivos eletrônicos, os investigadores encontraram o elo que faltava: diálogos e repasses financeiros que ligavam figuras do topo da facção diretamente a Deolane Bezerra. Segundo as autoridades, a influenciadora não era apenas uma figura conhecida nas redes sociais, mas ocuparia um papel estratégico na "reinserção" de dinheiro ilícito na economia formal. A polícia aponta que sua enorme visibilidade pública e suas atividades empresariais eram utilizadas como uma "camada de legalidade", dificultando o rastreamento da origem real dos recursos que financiavam seu estilo de vida luxuoso.

O volume de bens e valores atingidos pela Justiça impressiona e dá a dimensão do esquema. Foi determinado o bloqueio de mais de R$ 327 milhões e o sequestro de 17 veículos de luxo, avaliados em cerca de R$ 8 milhões, além da apreensão de quatro imóveis de alto padrão. A investigação sugere que Deolane mantinha vínculos estreitos com gestores "fantasmas" de empresas investigadas, apresentando uma movimentação patrimonial que, segundo o Ministério Público, é totalmente incompatível com suas fontes de renda declaradas.

A Operação Vérnix também possui um braço internacional que coloca os investigados na mira do mundo todo. Enquanto seis mandados de prisão eram cumpridos no Brasil — incluindo nomes como Everton de Souza, conhecido como "Player" —, a polícia acionou a Interpol para localizar três alvos que estariam na Espanha, Itália e Bolívia. Com a inclusão desses nomes na "Lista Vermelha", as autoridades brasileiras buscam asfixiar financeiramente a organização e desmantelar a ponte que une o crime organizado ao luxo exibido nos grandes centros urbanos e nas telas dos celulares.