Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 12:44
- Atualizado há 2 horas
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), uma operação que tem como um dos alvos o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A ação investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.>
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados na Bahia e no Distrito Federal. Entre os locais vistoriados estão imóveis ligados ao parlamentar, como residências em Salvador e Brasília, uma casa de praia e o escritório parlamentar na capital baiana.>
Segundo as investigações, a PF identificou indícios de que o deputado teria utilizado o secretário parlamentar Marcelo Chaves como intermediário na negociação de pagamentos ilícitos. Os investigadores apontam que Félix Mendonça Jr. teria recebido propina, de forma direta e indireta, em troca da destinação de emendas a pelo menos três municípios baianos.>
De acordo com a apuração, os valores teriam sido pagos em dinheiro vivo, supostamente entregues pelo empresário Evandro Baldino do Nascimento, apontado como integrante do grupo investigado. A organização atuava principalmente em contratos públicos nas áreas de engenharia e limpeza urbana.>
O secretário parlamentar também é alvo das medidas judiciais, incluindo bloqueio de bens. A PF identificou que Marcelo Chaves utilizava codinomes em conversas para se referir ao pagamento de propina, empregando termos como “caloi”, “platitas”, “laplatina”, “garfo”, “soldas”, “garrotes” e “praguinhas”.>
As investigações indicam ainda o uso das chamadas emendas Pix. Em 2021, após a posse de prefeitos, uma empresa ligada ao empresário Baldino venceu contratos em Ibipitanga e Boquira, municípios que receberam recursos destinados pelo deputado por esse tipo de emenda.>
Relatórios da PF apontam que Félix Mendonça era citado como o “amigo” em diálogos que tratavam da entrega de valores. Reuniões para o pagamento teriam ocorrido em setembro de 2024, período em que o parlamentar estava em Salvador. Elementos colhidos em diligências anteriores reforçaram a suspeita de recebimento de recursos nessas datas, o que motivou a nova operação.>
Além do deputado, prefeitos e ex-prefeitos também são investigados. Entre eles estão o ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), o prefeito de Ibipitanga, Beto (PT), e o prefeito de Boquira, Alan França (PSB). As defesas dos citados negam irregularidades.>
A Justiça determinou ainda o sequestro de cerca de R$ 24 milhões, atingindo empresários, gestores públicos e o secretário parlamentar. Segundo a PF, a medida busca interromper a circulação de recursos de origem ilícita e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.>
Os novos indícios apresentados levaram o ministro Nunes Marques, relator do caso no STF, a autorizar a operação. Em junho do ano passado, o magistrado havia considerado que as provas disponíveis eram insuficientes para a realização de buscas contra o deputado.>
A investigação apura crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A Operação Overclean, que chega à sua nona fase, também analisa a possível participação de outros parlamentares e conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.>
O gabinete de Félix Mendonça Júnior ainda não se manifestou sobre as acusações.>