Deputado Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro viram alvos da Polícia Federal

Operação investiga desvios milionários em emendas parlamentares repassadas para a cinebiografia "Dark Horse", cumprindo dezenas de mandados em quatro estados.

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 08:22

Deputado Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro viram alvos da Polícia Federal
Deputado Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro viram alvos da Polícia Federal Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A produção da cinebiografia "Dark Horse", inspirada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entrou na mira de uma investigação de grande porte da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10). Batizada de Operação Make Up e realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União, a ação colocou o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama no centro de apurações sobre supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.

Ao todo, 49 mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e estão sendo cumpridos no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará.

As suspeitas da polícia giram em torno de uma rede organizada de agentes públicos e privados que supostamente utilizava uma organização da sociedade civil para canalizar emendas parlamentares. Os recursos públicos eram, então, repassados a empresas subcontratadas de fachada, sem comprovação de que os serviços haviam sido efetivamente realizados.

Levantamentos financeiros apontam uma movimentação impressionante de centenas de milhões de reais entre as empresas que compõem o esquema investigado.

O envolvimento do deputado Mario Frias que atuou como secretário de Cultura durante a gestão Bolsonaro e assina como produtor do longa já vinha sendo monitorado pela Justiça. Em março, o ministro Flávio Dino exigiu que o parlamentar explicasse o destino de uma emenda de dois milhões de reais repassada ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada diretamente à produtora do filme.

Embora Frias tenha negado qualquer irregularidade em sua defesa enviada ao STF em maio, afirmando que o dinheiro teve um propósito estritamente social, o financiamento da produção cinematográfica segue sob escrutínio rigoroso em dois inquéritos separados na Suprema Corte, sob a batuta de Dino e do ministro André Mendonça.