Diálogos indicam que Willer Tomaz e concierge da Blaze combinaram formas de driblar regulamentação de apostas

Conversas foram registradas em ata notarial e fazem parte de uma ação movida pelo advogado contra a empresa.

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 07:53

Diálogos indicam que Willer Tomaz e concierge da Blaze combinaram formas de driblar regulamentação de apostas -
Diálogos indicam que Willer Tomaz e concierge da Blaze combinaram formas de driblar regulamentação de apostas - Crédito: Reprodução/Internet

Diálogos entre o advogado Willer Tomaz e o concierge da Blaze responsável pelo atendimento VIP dele indicam que os dois discutiram alternativas para realizar movimentações financeiras que, segundo a regulamentação federal das apostas on-line, não seriam permitidas.

As conversas foram transcritas em uma ata notarial anexada aos autos de uma ação movida por Willer contra a Blaze. O conteúdo foi revelado pela coluna de *Demétrio Vecchiol.

Em uma das mensagens, o advogado relatou ao concierge que estava sendo questionado por bancos e órgãos reguladores devido ao alto volume de transações realizadas.

“Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas. Tenho uma grande linha de crédito com cassinos como o WYNN e outros”, questionou Willer.

Na sequência, o gerente VIP teria sugerido que as movimentações fossem realizadas por meio de criptomoedas.

“Você teria interesse em fazê-los por meio de criptomoedas? Dessa forma, não ficamos presos a determinados limites e podemos movimentar valores maiores por depósito e saque”, respondeu o concierge.

Willer teria aceitado a proposta e perguntado como deveria proceder.

“Nós podemos tentar. Você me guia?”, respondeu o advogado.

Segundo a regulamentação federal citada no relato, depósitos e retiradas em plataformas de apostas devem ser realizados por meio de transferências eletrônicas entre contas cadastradas em instituições autorizadas pelo Banco Central.

APOSTAS DE R$ 500 MIL

Após a conversa, o advogado passou a realizar apostas de valores ainda mais altos na plataforma.

Em 31 de outubro de 2025, durante aproximadamente dois minutos, entre 21h58 e 22h, Willer teria ganhado R$ 2,5 milhões e perdido o mesmo valor em apostas realizadas em uma mesa de cassino virtual exclusiva.

Cada aposta, segundo os documentos, era de R$ 500 mil.

Na tentativa de sacar os valores, surgiu outra questão envolvendo as transferências. Conforme o relato, os R$ 6 milhões solicitados por Willer foram enviados pela Blaze em 400 transferências de R$ 15 mil.

O valor de R$ 15 mil correspondia ao limite de Pix mencionado no documento para instituições de pagamento não autorizadas pelo Banco Central.

BÔNUS DE R$ 3 MILHÕES

Dez dias depois das movimentações, a Blaze teria enviado ao advogado um bônus de fidelidade de R$ 3 milhões.

Os diálogos e as transações integram a documentação apresentada no processo judicial movido por Willer Tomaz contra a empresa.

A informação foi revelada com exclusividade pelo jornalista Demétrio Vecchioli.

Texto por Pedro Moraes.