Publicado em 24 de setembro de 2026 às 15:54
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (24) que a Polícia Federal (PF) instaure inquérito para apurar possíveis ilícitos praticados por agentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e autoridades na fiscalização de fundos ligados ao extinto Banco Master. A decisão abrange a conduta funcional de servidores do órgão regulador e de autoridades de alto escalão que possam ter influenciado julgamentos no órgão.>
A determinação tem como base uma denúncia apresentada em fevereiro de 2022 que detalhava a falta de liquidez do Grupo Master, mas que acabou arquivada sumariamente pela autarquia sob a justificativa de ausência de elementos. A representação, encaminhada à CVM pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apontava manobras como a manipulação de cotações, inconsistências contábeis e a venda de ativos deteriorados com a expectativa de que os pagamentos fossem assumidos pelo próprio FGC.>
De acordo com a decisão, mais de R$ 3 bilhões — do montante total de R$ 5 bilhões captados com cobertura do FGC — estavam aplicados em papéis de reduzida qualidade ou sem liquidez. Com base em dados da Transparência Internacional - Brasil, o ministro ressaltou que a autarquia colocou o processo sob sigilo e não realizou diligências antes de encerrar o caso. Para o relator, as omissões superam simples falhas regulatórias e exigem investigação criminal e administrativa específica.>
O magistrado citou ainda suspeitas envolvendo a concessão de serviços funerários prestados pela prefeitura de São Paulo ao grupo financeiro, cujo procedimento administrativo na CVM foi encerrado após a aprovação de um acordo de R$ 2,9 bilhões.>
Ao destacar indícios de participação de agentes com foro privilegiado na Corte, Dino reforçou a necessidade de acompanhamento direto das apurações pelo STF e lembrou ter concedido 90 dias para que o governo federal revise as normas de fiscalização da autarquia.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>