Dono da refinaria Refit tem prisão decretada em operação contra evasão bilionária

Investigação autorizada pelo STF aponta esquema de ocultação de patrimônio e fraudes fiscais no setor de combustíveis; Ricardo Magro é o principal alvo da ação.

Publicado em 15 de maio de 2026 às 09:01

Dono da refinaria Refit tem prisão decretada em operação contra evasão bilionária
Dono da refinaria Refit tem prisão decretada em operação contra evasão bilionária Crédito: Reprodução

O setor de combustíveis amanheceu sob forte pressão policial nesta sexta-feira (15). A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, que coloca no centro de um furacão jurídico o empresário Ricardo Andrade Magro, de 51 anos, dono do Grupo Refit. Com o aval do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes buscam cumprir um mandado de prisão preventiva contra o executivo, que comanda a refinaria desde 2018 e atualmente reside em uma área de alto padrão em Miami, nos Estados Unidos.

A ofensiva não se limita a prisões. O STF autorizou uma varredura completa que inclui 17 mandados de busca e apreensão e o afastamento de sete pessoas de suas funções públicas. As equipes da PF estão divididas entre endereços estratégicos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e também no Distrito Federal. O objetivo é desmantelar o que os investigadores descrevem como um labirinto financeiro criado para burlar o fisco e esconder a real riqueza do grupo.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o conglomerado liderado por Magro teria montado uma engrenagem societária e financeira sofisticada. O esquema serviria para camuflar bens e enviar recursos ilegalmente para fora do país, a famosa evasão de divisas. A perícia técnica da PF identificou inconsistências graves na operação da refinaria, sugerindo que o negócio era utilizado como fachada para manobras fiscais e ocultação de patrimônio.

Ricardo Magro possui um perfil técnico que, para os investigadores, pode ter facilitado o desenho das supostas irregularidades. Formado em Direito pela Universidade Paulista e pós graduado em Direito Tributário, o empresário detém o conhecimento especializado necessário para transitar pelas complexas leis de impostos do Brasil. Agora, esse histórico acadêmico e profissional será confrontado com as provas colhidas pela Operação Sem Refino.

A ação é vista como um passo decisivo para moralizar a concorrência no mercado de refino e distribuição de combustíveis, combatendo o uso de estruturas empresariais para a prática de crimes financeiros. Enquanto a polícia atua em solo brasileiro, a situação do empresário em Miami deve gerar novos desdobramentos jurídicos internacionais nas próximas horas.