Dono de academia mandou 'dar clorada mais forte' antes de morte de professora em piscina

Em um dos áudios exibidos, o sócio demonstra preocupação com o aspecto da piscina e sugere reforçar a dosagem de cloro

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 15:05

Em um dos áudios exibidos, o sócio demonstra preocupação com o aspecto da piscina e sugere reforçar a dosagem de cloro
Em um dos áudios exibidos, o sócio demonstra preocupação com o aspecto da piscina e sugere reforçar a dosagem de cloro Crédito: Reprodução 

Mensagens de áudio divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, mostram que o tratamento da piscina da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, era feito por um manobrista sem formação técnica, sob orientação remota de um dos donos do estabelecimento. No local, a professora de natação Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após passar mal durante uma aula.

De acordo com o Fantástico, Severino José da Silva realizava a medição da água e enviava fotos do visor do medidor ao empresário Celso Bertolo, que indicava, por aplicativo de mensagens, quais produtos deveriam ser aplicados e em que quantidade.

Em um dos áudios exibidos, o sócio demonstra preocupação com o aspecto da piscina e sugere reforçar a dosagem de cloro. “Olhei pela câmera e ela tá horrível. Acho que está sem cloro. Mede quando você for lá e, se precisar, a gente coloca até um pouco mais”, afirma. Em outra gravação, ele orienta: “A gente mede e dá uma clorada mais forte pra amanhã estar bonita”.

A defesa do funcionário sustenta que ele não tinha qualificação específica para o manuseio de produtos químicos e que apenas cumpria as determinações repassadas pelo proprietário. Segundo a advogada Bárbara Bonvicini, a rotina incluía a medição diária e o envio das informações para que o sócio definisse o procedimento a ser adotado.

As investigações da Polícia Civil apontaram que a causa da morte foi intoxicação provocada por excesso de cloro na água. Conforme o inquérito, foram identificadas falhas no controle e na manutenção química da piscina, consideradas recorrentes ao longo do funcionamento da academia.

Em nota ao Fantástico, as defesas de Celso Bertolo e dos outros dois sócios, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof, informaram que os empresários colaboram com as autoridades e confiam na condução técnica e imparcial das apurações.

O manobrista não será responsabilizado criminalmente pelo caso.

Com informações do UOL