“Elon Musk brasileiro” é suspeito de comandar esquema de pirâmide com carros elétricos

A análise também aponta possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor

Publicado em 12 de abril de 2026 às 11:36

(Empresário Flávio Figueiredo)
(Empresário Flávio Figueiredo) Crédito: Reprodução

Um relatório do Ministério da Fazenda identificou indícios de esquema de pirâmide financeira envolvendo a empresa Lecar, comandada pelo empresário Flávio Figueiredo Assis, conhecido como “Elon Musk brasileiro”.

De acordo com a análise técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas, o modelo de negócios da empresa apresenta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta”. A investigação teve início após solicitação do Ministério Público Federal.

A Lecar oferece veículos elétricos e híbridos por meio de um sistema chamado “compra programada”, no qual os clientes pagam parcelas ao longo de 48, 60 ou 72 meses, com a promessa de receber o automóvel antes do fim do contrato, mesmo sem a empresa possuir fábrica concluída ou veículos homologados.

Segundo o documento, a empresa não possui autorização do Ministério da Fazenda para operar esse tipo de modalidade. Além disso, o relatório aponta características típicas de pirâmide financeira, como a dependência da entrada de novos clientes para manter o fluxo de caixa.

Entre os principais indícios levantados estão a cobrança de taxa de adesão para atuação como revendedor, a promessa de entrega de produtos ainda inexistentes, o uso de estratégias de urgência para atrair consumidores e a necessidade declarada de novos participantes para sustentar o negócio.

A análise também aponta possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor, como publicidade enganosa e omissiva.

Criada em 2022, a Lecar se apresenta como uma montadora 100% brasileira com o objetivo de revolucionar o mercado de veículos elétricos na América Latina. O projeto industrial prevê a construção de uma fábrica em Sooretama, no Espírito Santo, com investimento estimado em R$ 870 milhões e início de produção a partir de 2027.

Em manifestação, o empresário afirmou que o projeto ainda está em desenvolvimento e que os clientes estariam “apostando” na proposta como forma de incentivo à indústria nacional.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes.

Com informações do portal Metrópoles