Publicado em 20 de outubro de 2026 às 19:52
O empresário Léo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o conselho de uma organização ambiental criada por ele. A articulação aparece em mensagens trocadas em 2023 entre Slezynger, a lobista Roberta Luchsinger e o filho do presidente, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira (20).>
De acordo com a publicação, a proposta foi apresentada em meio a conversas sobre a captação de recursos para o Fundo Amazônia, após o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciar que buscaria US$ 500 milhões para o mecanismo ambiental ao longo de cinco anos. Nas mensagens, Luchsinger sugere que Slezynger convide Lulinha para o conselho da entidade e afirma que a iniciativa poderia favorecer a captação de recursos.>
Em uma das conversas reproduzidas pela reportagem, Luchsinger descreve a proposta como uma possível troca de favores. “Você acha que o pai dele vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim… toma lá, da cá”, escreveu ela a Slezynger.>
As mensagens também indicam que a organização planejada, chamada Brasil Climate Change (BRACC), teria um conselho estratégico com a participação de Lulinha, da ex-ministra Marina Silva e da própria Luchsinger. Ao ser convidado, o filho do presidente respondeu que seria necessário verificar se ministros poderiam ocupar cargos em entidades privadas. Não há, no material apresentado pela reportagem, confirmação de que ele tenha assumido efetivamente a função.>
A publicação também relata que, em julho de 2023, Slezynger agradeceu a Lulinha por sua atuação junto ao presidente em favor da Unigel. Em resposta, o filho de Lula escreveu: “Estamos todos aqui torcendo. Feliz que estamos ajudando. Agora é vc fazer o gol e nós saímos pro abraço”.>
A Unigel foi beneficiada por um contrato de processamento de gás natural com a Petrobras, posteriormente anulado por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou o acordo prejudicial à estatal, segundo a reportagem.>
As suspeitas de possível tráfico de influência envolvendo a empresa são investigadas em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. A existência da investigação não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas.>