Ensino médio perde mais de 400 mil alunos em 2025 e registra maior queda desde a pandemia

Levantamento do Censo Escolar mostra retração de 5,4% nas matrículas, enquanto ensino em tempo integral avança principalmente na rede pública.

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 12:44

Ensino médio perde mais de 400 mil alunos em 2025 e registra maior queda desde a pandemia
Ensino médio perde mais de 400 mil alunos em 2025 e registra maior queda desde a pandemia Crédito: ANTÔNIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

O número de estudantes matriculados no ensino médio brasileiro diminuiu de forma significativa em 2025. Dados do Censo Escolar divulgados nesta quinta-feira (26) apontam que o país passou de 7,8 milhões de alunos em 2024 para 7,3 milhões neste ano, uma redução de 419 mil matrículas. A queda de 5,4% é a mais acentuada desde 2020, início da série histórica recente, marcada pelo impacto da pandemia.

A retração interrompe o crescimento observado no ano passado, quando o ensino médio havia registrado alta de 1,48%. Entre 2020 e 2022, o número de matrículas chegou a crescer gradualmente, saindo de pouco mais de 7,5 milhões para 7,8 milhões de estudantes. Em 2023 houve recuo, seguido de nova alta em 2024. Agora, os dados voltam a indicar um cenário de diminuição.

Em 2025, o total de matrículas no ensino médio regular ficou em 7.370.879. Em comparação com os 7.790.396 registrados no ano anterior, a diferença revela um desafio renovado para manter jovens na escola, tanto na rede pública quanto na privada.

A maior parte dos alunos continua concentrada na rede pública, que responde por cerca de 86% das matrículas dessa etapa. Mesmo com a queda geral, um ponto chama atenção: o avanço do ensino em tempo integral.

Considerando a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, o país alcançou 8,8 milhões de matrículas em jornada ampliada em 2025, crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior. No ensino médio público, mais de um quarto dos estudantes, o equivalente a 26,8%, já está em escolas de tempo integral. Apenas neste ano, houve aumento de 8,4% nessa modalidade, com a entrada de 130,9 mil novos alunos.

Na rede privada, o tempo integral representa cerca de 11% das matrículas do ensino médio. As escolas que adotam esse modelo costumam oferecer ao menos sete horas diárias de aula, somando 35 horas semanais, enquanto o turno parcial gira em torno de quatro horas por dia.

Os números revelam um cenário ambíguo: ao mesmo tempo em que o país amplia a oferta de ensino em tempo integral, enfrenta dificuldades para manter o total de jovens matriculados no ensino médio. O desafio agora é entender as causas da evasão e fortalecer políticas que garantam não apenas o acesso, mas a permanência dos estudantes até a conclusão dessa etapa decisiva da educação básica.