Estado cassa aposentadoria de policiais civis envolvidos em esquema de propina e extorsão

Medida publicada no Diário Oficial atinge investigador e carcereiro condenados por cobrar subornos de caça-níqueis e praticar extorsões na zona norte de São Paulo.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 08:24

Estado cassa aposentadoria de policiais civis envolvidos em esquema de propina e extorsão
Estado cassa aposentadoria de policiais civis envolvidos em esquema de propina e extorsão Crédito: Reprodução/Google Maps

A mão pesada da justiça administrativa atingiu em cheio dois antigos servidores da segurança pública paulista. O Governo do Estado oficializou a cassação das aposentadorias de um investigador e de um carcereiro que haviam sido condenados criminalmente por integrarem um esquema de corrupção. A punição, publicada no Diário Oficial após o trânsito em julgado da decisão, encerra de vez qualquer vínculo financeiro dos ex-agentes com o erário estadual.

Lotados na época no 33º Distrito Policial, na Vila Mangalot, Marcelo Augusto Afonso e Rogério Dias da Mota Abreu foram o centro de uma investigação rigorosa conduzida pelo Ministério Público. O grupo criminoso do qual faziam parte operava cobrando propinas para acobertar a exploração ilegal de jogos de azar e caça-níqueis em Pirituba, entre maio de 2017 e fevereiro de 2019.

As apurações revelaram que a atuação dos policiais ia muito além das jogadas de azar. Com base em interceptações telefônicas, quebras de sigilo e serviços de inteligência, o MP descobriu que os agentes também abordavam suspeitos em pontos de venda de drogas para extorquir dinheiro em troca de liberdade.

Parte do montante arrecadado ilegalmente era dividida entre os criminosos, enquanto outra parcela servia para cobrir despesas cotidianas da própria delegacia, como reparos prediais.

Denunciados formalmente por corrupção passiva, concussão e lavagem de dinheiro, os policiais viram o cerco se fechar ainda em dezembro de 2020, quando a Justiça aceitou a denúncia por ver provas contundentes de crimes que agora cobram o preço definitivo com a perda do benefício previdenciário.