Estagiária que dava dicas para clientes não caírem em fraudes é presa por golpes online

Dupla montou cenário com caixas vazias para simular estoque de celulares.

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 09:14

Estagiária que dava dicas para clientes não caírem em fraudes é presa por golpes online
Estagiária que dava dicas para clientes não caírem em fraudes é presa por golpes online Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma rotina de publicações nas redes sociais ensinando como evitar fraudes virtuais e desbloquear contas suspensas por suspeita de ilícitos era a fachada perfeita usada por Micaelli Araújo, de 22 anos. Estudante do 7º semestre de direito e estagiária em um escritório de advocacia, a jovem foi presa preventivamente nesta sexta feira (14) ao lado do companheiro, Rafael dos Santos Damasceno, de 25 anos. O casal é acusado de arquitetar uma sofisticada rede de estelionato eletrônico que vendia celulares inexistentes para consumidores em todo o país.

A ofensiva, batizada de Operação Reflexo, foi coordenada pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), da Polícia Civil do Distrito Federal, em ação conjunta com a polícia paulista e o setor de inteligência de um grande e-commerce. Para dar aparência profissional ao negócio, os investigados montaram um verdadeiro estúdio cenográfico dentro da própria residência, no estado de São Paulo. O cômodo era decorado com dezenas de caixas vazias de smartphones modernos, etiquetas e embalagens de envio. Vídeos e fotos eram gravados no local para simular que o produto estava pronto para postagem, convencendo os clientes a realizarem o pagamento via Pix. Assim que o dinheiro caía na conta, o comprador era bloqueado em todas as redes.

As apurações apontam que a dupla clonava a identidade visual de uma famosa loja do setor de telefonia e acumulava vítimas no Distrito Federal e em diversos estados. Além dos mandados de prisão preventiva e de quatro ordens de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, a Justiça determinou o bloqueio cautelar de R$ 20 mil nas contas do grupo. Enquanto Micaelli não possuía registros criminais anteriores, Rafael já respondia a um processo semelhante por fraude virtual no Rio Grande do Sul.

Ambos foram enquadrados no artigo 171 do Código Penal por fraude eletrônica e podem pegar de 4 a 8 anos de reclusão por cada crime confirmado.