Publicado em 19 de março de 2026 às 09:18
Uma estudante de medicina de 22 anos foi encontrada morta após ingerir arsênio, e o caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado sob a suspeita de indução ao autoextermínio. Antes de morrer, Carolina Andrade Zar reuniu provas em um dossiê com registros de conversas que indicam pressão psicológica do namorado durante a gravidez.>
De acordo com o material, a jovem era constantemente pressionada a interromper a gestação. O companheiro teria reagido de forma agressiva ao saber da notícia, acusando Carolina de tentar prejudicá-lo e afirmando que o filho seria um problema em sua vida. Nas mensagens, ele também aparece incentivando o uso de medicamentos ilegais e pedindo que a situação fosse mantida em segredo, inclusive da família.>
Ainda segundo os registros, o homem alternava momentos de agressividade com pedidos de desculpa e promessas de apoio, numa tentativa de convencer a estudante de que o aborto seria a melhor saída. Em diversos trechos, ele utilizava ameaças contra si mesmo como forma de pressioná-la emocionalmente.>
Mesmo diante do cenário, Carolina demonstrava o desejo de manter a gravidez. Em relatos escritos, ela chegou a cogitar enganar o namorado, descartando o medicamento e seguindo com a gestação sozinha, longe dele. O plano, no entanto, não se concretizou.>
O procedimento acabou sendo realizado em um hotel, reservado pelo próprio companheiro. A estudante já estava com cerca de três meses de gestação e passou mal após ingerir a medicação. Segundo seu relato, ela permaneceu no local por horas até a confirmação do efeito do remédio e afirmou ter sido impedida de se movimentar durante o processo.>
Após o episódio, o estado emocional da jovem se agravou. Abalada com a perda do filho, ela passou a apresentar sinais de sofrimento intenso, incluindo episódios de automutilação. No dia 15 de maio de 2025, foi encontrada sem vida.>
Um laudo do Instituto Médico Legal confirmou que a causa da morte foi intoxicação aguda por arsênio. Com a nova informação, as investigações passaram a considerar a possibilidade de envolvimento indireto do namorado, tanto no aborto quanto no desfecho fatal.>
O caso é acompanhado pelo pai da estudante, o advogado Fauez Zar, que defende que a filha foi levada a uma situação extrema. Segundo ele, Carolina demonstrava arrependimento nos dias que antecederam a morte e expressava o desejo de ter o filho de volta.>
Em mensagens enviadas à mãe do namorado, a jovem detalhou o que viveu desde a descoberta da gravidez e afirmou que precisava ser ouvida. No conteúdo, ela destacou que não buscava vingança, mas que sua história não poderia ser apagada.>
A família agora busca responsabilização e espera que o caso sirva de alerta para situações semelhantes. A investigação segue em andamento.>