Publicado em 9 de setembro de 2026 às 09:43
O orgulho de vestir o jaleco pela primeira vez e celebrar a conquista de uma trajetória desafiadora foi interrompido por ofensas virtuais em Pernambuco. O estudante João Lucas Brito, de 24 anos, enfrentou ataques de cunho racista e preconceituoso na internet depois de compartilhar imagens do seu ensaio fotográfico de formatura no Instagram.>
Criado na Comunidade do Cardoso, na Zona Oeste de Recife, o universitário usou a publicação para exaltar suas raízes, posando com óculos espelhados e segurando o clássico livro "Sobrevivendo no Inferno", do Racionais MC’s.>
A postagem atraiu interações de apoio, mas também mensagens de ódio enviadas por uma conta vinculada a um médico residente em Brasília. Entre os comentários de cunho discriminatório, o perfil disparou frases como "Saudades de quando favelado não entrava em medicina" e criticou a qualificação profissional do estudante, alegando que ele estaria "matando com um carimbo do CRM na mão".>
Durante a discussão gerada na postagem com outros usuários, o próprio autor das ofensas acabou revelando seu registro profissional, o que facilitou a identificação pelo estudante.>
Antes que os comentários fossem apagados, João Lucas salvou capturas de tela de todo o conteúdo e formalizou um boletim de ocorrência por injúria virtual na última sexta-feira (4). O caso agora é apurado de perto pela Delegacia do Cordeiro, em Pernambuco, com base nas provas digitais reunidas pela vítima.>
Apesar da agressão, a trajetória de João Lucas é marcada por superações acadêmicas expressivas. Bolsista integral pelo ProUni no 11º período de medicina em uma instituição particular, ele se tornará o primeiro médico de sua família. Aliando a graduação a um alto desempenho científico, o jovem já garantiu uma vaga no doutorado em Saúde Integral no Imip por meio de um programa voltado para a formação de cientistas médicos, com direito a um intercâmbio programado para o Canadá nos próximos anos.>