Ex-atleta que agrediu namorada com 61 socos irá a júri popular por tentativa de feminicídio

Justiça manteve a prisão preventiva do réu citando a "extrema violência" e crueldade do crime.

Publicado em 24 de junho de 2026 às 15:41

Ex-jogador de Basquete, Igor Cabral deu mais de 60 socos na namorada.
Ex-jogador de Basquete, Igor Cabral deu mais de 60 socos na namorada. Crédito: Reprodução/Instagram

A 1ª Vara Criminal de Natal decidiu que o ex-atleta Igor Eduardo Pereira Cabral, réu por agredir a então namorada com 61 socos dentro de um elevador, será submetido a júri popular. A decisão manteve a prisão preventiva do acusado, fundamentando-se em sua "periculosidade social" e na gravidade concreta do crime, descrito como um espancamento contínuo em ambiente confinado que resultou na desfiguração da estrutura óssea facial da mulher.

O ataque impôs à vítima uma severa sequela neurológica permanente. Devido às múltiplas fraturas sofridas, ela precisou ser submetida a uma complexa cirurgia de reconstrução facial, na qual foram fixadas sete placas de titânio e 31 parafusos em seu rosto. O juízo destacou que o ato de desferir múltiplos golpes concentrados na cabeça e face, utilizando inclusive o apoio de uma barra do elevador para aumentar a potência mecânica dos impactos, impede a rejeição da tese de intenção de matar.

Em depoimento, a vítima relatou que a agressão foi uma tentativa explícita contra sua vida. Segundo ela, antes de iniciar os golpes, Igor Eduardo teria dito: "então você vai morrer". "Eu resisti, ele falhou no plano dele", declarou a mulher ao comentar sobre o episódio ocorrido em julho do ano passado, quando o agressor foi preso em flagrante após um porteiro chamar a polícia.

A Justiça refutou a tese da defesa de que as lesões não causaram risco de vida imediato, afirmando que a ausência de um quadro clínico letal no momento não exclui a configuração do crime na modalidade tentada. O réu será julgado pelo crime de feminicídio tentado duplamente qualificado. Com a pronúncia do réu, o próximo passo será a seleção do júri popular, em data ainda a ser estabelecida.

O sistema de justiça reforça que denúncias de violência contra a mulher podem ser realizadas gratuitamente pelo telefone 180, serviço que funciona 24 horas por dia.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.