Ex-chefe da Receita Federal é alvo de ação por esquema de propina de R$ 5 milhões

Investigação conjunta com a Polícia Federal aponta que o ex-servidor usava o cargo para favorecer empresários no comércio exterior e ocultava bens com a ajuda de parentes.

Publicado em 2 de junho de 2026 às 08:42

Ex-chefe da Receita Federal é alvo de ação por esquema de propina de R$ 5 milhões
Ex-chefe da Receita Federal é alvo de ação por esquema de propina de R$ 5 milhões Crédito: Reprodução/Receita Federal

Um esquema milionário que fraudava processos alfandegários foi o alvo de uma grande ação conjunta entre a Polícia Federal e a Receita Federal. A chamada Operação Benaia cumpre mandados para desarticular uma rede criminosa liderada por um ex-chefe da própria Receita Federal, suspeito de embolsar mais de R$ 5 milhões em vantagens indevidas. O servidor, que já foi afastado de suas funções públicas, contava com o apoio de familiares, consultorias e despachantes para camuflar o dinheiro ilícito.

O caso começou a vir à tona quando a Corregedoria da Receita Federal notou que os gastos e o estilo de vida do ex-chefe não batiam com o salário que ele recebia oficialmente. A partir daí, os investigadores descobriram que ele aproveitava o alto cargo que ocupava para facilitar a vida de empresários que atuavam com importação e exportação. O ex-servidor ia além de agilizar a papelada: ele é suspeito de tentar desenhar estruturas de logística personalizadas para atender aos interesses do grupo empresarial que o corrompia.

Em troca do favorecimento nas alfândegas, o ex-chefe recebia as propinas de diferentes formas para não chamar a atenção. O dinheiro vinha tanto em espécie quanto por depósitos bancários e pagamentos diretos de suas contas pessoais, incluindo faturas de cartão de crédito, aluguéis e a compra de bens de luxo. Para dar uma fachada de legalidade ao enriquecimento rápido, a rede utilizava empresas registradas no nome de parentes do investigado, funcionando como uma lavagem de dinheiro clássica.

As buscas e apreensões se concentram em pontos estratégicos do comércio exterior brasileiro. Ao todo, 30 servidores da Receita Federal foram a campo para cumprir as ordens judiciais. O estado de São Paulo concentra a maior parte das ações, com visitas dos agentes em Campinas, Guarulhos, São Paulo capital, Santana de Parnaíba, Paulínia, Barueri, Valinhos e Hortolândia. Além disso, as autoridades miraram alvos em Itajaí, cidade catarinense que abriga um dos portos mais importantes do país. Os materiais coletados agora serão analisados para descobrir se há mais envolvidos no esquema.