Ex-integrante do Exército testava armamento internacional trazido do Paraguai

Força-tarefa em Uberlândia desarticula grupo que faturava milhões vendendo fuzis e munições para facções.

Publicado em 19 de maio de 2026 às 07:53

Ex-integrante do Exército testava armamento internacional trazido do Paraguai
Ex-integrante do Exército testava armamento internacional trazido do Paraguai Crédito: Reprodução/PF

Uma megaoperação da Polícia Federal sacudiu o Triângulo Mineiro na manhã desta twrça -feira (19). Batizada de Operação Scutum 3, a ação teve como foco desmantelar uma poderosa organização criminosa que trazia ilegalmente armas de grosso calibre e alta potência do Paraguai para o Brasil. Com um esquema sofisticado, o grupo utilizava a cidade de Uberlândia como um grande centro de armazenamento e distribuição para abastecer criminosos em diversos estados.

A operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária na cidade mineira. De acordo com as investigações, que ganharam força após a análise de documentos coletados em fases anteriores, o bando movimentava milhões de reais. Para dar um banho de legalidade no dinheiro sujo do tráfico de armas, os suspeitos usavam comércios locais de fachada, como uma garagem de veículos e lojas especializadas em eletrônicos e celulares.

O que mais impressionou as autoridades foi a presença de mão de obra altamente qualificada dentro da quadrilha. Entre os principais alvos da investigação está um homem que já fez parte do Exército Brasileiro e do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI. Ele aproveitava seu emprego em um clube de tiro de Uberlândia e sua experiência militar para realizar testes de funcionamento nos armamentos de longo alcance antes que eles fossem repassados adiante.

O esquema funcionava como uma verdadeira engrenagem logística. As armas de uso restrito entravam clandestinamente pela fronteira paraguaia, passavam pelo Triângulo Mineiro e por Goiás, e tinham como destino final estados com altos índices de violência, como Rio de Janeiro e Bahia. Diante do tamanho do prejuízo social, a Justiça Federal determinou o bloqueio imediato de até R$ 66 milhões das contas e do patrimônio dos envolvidos, valor que reflete o montante financeiro lavado pela quadrilha nos últimos cinco anos.

Agora sob custódia e com os bens congelados, os investigados enfrentam acusações graves na Justiça. Eles responderão por crimes que vão desde organização criminosa e lavagem de capitais até comércio ilegal de armamento e tráfico internacional de armas de fogo de uso proibido.